Por que razão deveríamos ter comemorado condignamente o "V Day"?
E nunca como hoje, porque a capacidade de destruição se tornou tão devastadora e porque é tão intenso e generalizado o desprezo pelos valores fundamentais da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da soberania do Direito sobre a barbárie, se tornou tão necessário demonstrar que, em termos práticos, a vitória sobre essas forças tenebrosas é possível e está ao nosso alcance.
Tal como antecipei, as comemorações do “V DAY”, ou seja, do dia da capitulação incondicional da Alemanha Nazi perante as Forças Aliadas e que marca o final da Segunda Guerra Mundial na Europa, foram pífias ou quase inexistentes.
E até a habitual parada em Moscovo no dia 9 de maio (no resto da Europa e nas Américas esse dia é assinalado a 8 de maio) não teve a dimensão de outros tempos, em que a ocasião era aproveitada para exibir, com pompa e circunstância, a dimensão do poderio militar, primeiro da União Soviética e depois da Federação Russa.
Nada disso aconteceu este ano.
Indesmentivelmente, a guerra na Ucrânia está a causar graves problemas à Federação Russa. Mais do que aqueles que os actuais dirigentes do Kremlin conseguem admitir.
O que, não sendo algo que permite afastar totalmente as preocupações dos povos europeus, acaba por ser algo positivo.
De facto, estando essa guerra a demonstrar, de um modo claro e inequívoco, as fraquezas das forças militares convencionais russas, esse país continua a ser aquele que a nível mundial é o detentor do maior número de ogivas nucleares. E não é seguro antecipar o que poderá fazer uma liderança política fragilizada e humilhada que dispõe de um tal poder, ou até se Putin e a sua camarilha não irão ser substituídos por alguém ainda pior e mais irresponsável do que eles são.
O que está a acontecer no Irão é, nessa matéria, muito significativo.
O que os governos de Israel e dos EUA conseguiram foi propiciar a transformação do Irão de uma feroz ditadura teocrática numa ainda mais sanguinária ditadura militar, dominada pelos dirigentes das Guardas da Revolução Islâmica.
Mas, por que motivos deveriam as comemorações dessa capitulação incondicional da Alemanha Nazi, que ocorreu realmente no dia 8 de maio de 1945, mas que só deveria ter sido comunicada oficialmente no dia seguinte, ser grandiosas?
Para começar, exactamente porque, para além de selvagem, egoísta e tendencialmente irracional, a natureza profunda dos seres humanos é intrinsecamente belicista, seria muito benéfico para a Humanidade que passassem a ser verdadeiramente valorizadas as datas em que as guerras terminam em vez dos dias em que elas se iniciam.
Depois e não menos importante, a capitulação incondicional da Alemanha Nazi demonstrou que é possível construir alianças activas e eficazes a favor da paz, da tolerância e da prosperidade e do bem-estar das populações, contra os totalitarismos e contra aqueles que se servem de todos os meios e usando todas as formas de violência, incluindo o genocídio, para impor aos outros a sua visão política do Mundo e da vida em sociedade.
E nunca como hoje, porque a capacidade de destruição se tornou tão devastadora e porque é tão intenso e generalizado o desprezo pelos valores fundamentais da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da soberania do Direito sobre a barbárie, se tornou tão necessário demonstrar que, em termos práticos, a vitória sobre essas forças tenebrosas é possível e está ao nosso alcance.
Lamentavelmente, a cobardia e a tibieza dos actuais dirigentes políticos ocidentais leva-os (e leva-as, porque aqui o género/sexo não se tem mostrado gerador de diferenças substanciais de comportamentos) a caminhar no sentido oposto e contrário à defesa desses valores.
Mesmo sabendo (porque não podem deixar de saber) que esse é um caminho suicidário.
Até para eles e elas, mas sobretudo para a Humanidade (que não para o Planeta ou para a Natureza – recordo aqui que na zona interdita em torno de Chernobil a natureza floresce, sendo que será interessante saber, caso as autoridades o permitam, o que irá acontecer aos militares russos que, por causa da guerra, foram forçados pelos seus superiores a permanecer nessa área territorial ucraniana)
Claro que há excepções - há sempre excepções -, mas que são isso mesmo, excepções a uma triste e perigosa regra geral.
Todavia, essas excepções são a nossa única esperança de futuro. De um futuro em que os direitos humanos sejam uma realidade na vida quotidiana das pessoas comuns.
A luta continua - tem de continuar. Porque a luta é contínua.
Por que razão deveríamos ter comemorado condignamente o "V Day"?
E nunca como hoje, porque a capacidade de destruição se tornou tão devastadora e porque é tão intenso e generalizado o desprezo pelos valores fundamentais da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da soberania do Direito sobre a barbárie, se tornou tão necessário demonstrar que, em termos práticos, a vitória sobre essas forças tenebrosas é possível e está ao nosso alcance.
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