Escritor garante que o presidente dos EUA é "mentiroso" e que não pretende dar os 5 mil dólares que prometeu aos norte-americanos.
O escritor Salman Rushdie tem cidadania britânica e norte-americana, vive nos Estados Unidos desde 2000 mas não esconde o que sente pelo atual presidente do país. O autor de Os Versos Satânicos contou numa entrevista ao Independent que anseia pela saída de Donald Trump da Casa Branca, bem como a demolição de tudo o que ele construiu, incluindo o famoso salão de baile da Casa Branca - orçado em 400 milhões de dólares - e o "arco de Trump".
Salman Rushdie perdeu o olho direito num atentado em 2022AP
"Quando o salão de baile for destruído... esse arco triunfal ridículo... quando ele cair, acho que haverá um momento de demolição de Trump, o que será muito prazeroso de se ver", considerou o escritor que, apesar de ter sido inúmeras vezes nomeado, nunca ganhou o Nobel da Literatura.
Rushdie definie o comportamento de Trump como "horripilante", descrevendo-o ainda como "um mentiroso brilhante". Garante que o presidente não pretende cumprir a promessa de dar 5 mil dólares a todos os americanos caso o partido republicano vença as eleições intercalares. "Ele engana as pessoas. Se alguém for tolo o suficiente para votar nele porque acha que vai receber 5 mil dólares... Esse dinheiro nunca vai chegar.”
"Temos um mentiroso brilhante na Casa Branca. É a única coisa que ele faz bem. A era Trump, que inclui a presidência de Biden, foi um período muito sombrio, aconteceram coisas na América que eu jamais acreditei que fossem possíveis. Ataques aos nossos valores da Primeira Emenda, à liberdade de expressão, hostilidade contra jornalistas e humoristas. A ideia de que o chefe do país mais poderoso do mundo se preocupe com piadas feitas na televisão, em programas de entrevistas noturnos, o enorme poder da presidência a ser usado por causa da suscetibilidade do ocupante da Sala Oval... É simplesmente horrível", prosseguiu.
O escritor, de 79 anos, nascido na Índia, é filho de muçulmanos não praticantes e ateu. Mudou-se para a Grã-Bretanha aos 13 anos, quando frequentou a Rugby School.
Viveu dez anos sob proteção policial no Reino Unido na década de 1990, depois das ameaças que recebeu do aiatolá Ali Khomeini do Irão, na sequência da publicação de Os Versículos Satânicos, em 1988, considerada blasfema por setores do Islão por incluir passagens inspiradas na vida do profeta Maomé. Organizações religiosas iranianas chegaram a oferecer uma recompensa multimilionária pela cabeça do autor.
Em 2022, quando progressivamente regressava à sua vida normal, sobreviveu por pouco após ser esfaqueado num ataque violento em Nova Iorque. Perdeu o olho direito. O seu agressor, Hadi Matar, condenado a 25 anos de prisão, elogiou o aiatolá Khomeini por ter pedido a execução de Rushdie.
O incidente deu origem a um livro, Knife, e a um documentário com o mesmo nome.
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