O psicólogo que desenhou a tortura na CIA e não se arrepende

O psicólogo que desenhou a tortura na CIA e não se arrepende
Sara Capelo 23 de janeiro de 2020

Num testemunho que aponta excessos à CIA, mas em que também reconhece que os agentes choravam com os "horrores" que praticavam, James Mitchell não se mostrou arrependido das práticas seguidas após o 11 de setembro.


Vestido com um fato cinzento claro, gravata vermelha, o homem alto, de barba branca levantou-se. À sua frente, um conjunto de militares e advogados, num tribunal especialmente montado na base norte-americana de Guantanamo, em Cuba. "Suspeitei desde o início que acabaria aqui", declarou James Mitchell, com o seu forte sotaque sulista, notou o The Guardian. O psicólogo nasceu no Tenessee há 68 anos.

O que o levou "voluntariamente" -- a expressão foi sublinhada por si durante o testemunho - a Guantanamo foi o seu papel como um dos dois psicólogos que "desenharam o programa de tortura da CIA", resume este jornal britânico. O outro era o seu sócio Bruce Jessen, tal como ele um antigo psicólogo na força aérea norte-americana. "Há anos que dizem coisas malvadas sobre nós", disse no testemunho, citado pelo site The Intercept.

Era o pós-11 de Setembro. "Eu pensei que a minha obrigação moral era proteger as vidas norte-americanas contra o desconforto temporário dos terroristas que pegaram em armas contra a América. Decidi que iria viver com isso", declarou ao grupo de militares responsável por esta fase do pré-julgamento. "Se fosse hoje, repeti-lo-ia."

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