Secretário do Tesouro norte-americano acredita que ainda hoje ou amanhã pode-se chegar a um acordo.
O secretário do Tesouro norte-americano admitiu esta terça-feira que um acordo para reabrir o estreito de Ormuz poderá ser alcançado até quarta-feira, embora Teerão negue estar em negociações diretas com Washington.
Navio cargueiro parece ancorado no Estreito de OrmuzAmirhosein Khorgooi/ISNA via AP
"Estamos em negociações com os iranianos e penso que há uma possibilidade de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo com vista à reabertura do estreito e à normalização da situação", disse Scott Bessent numa entrevista à estação CNBC.
Quando questionado sobre eventuais taxas do Irão pelo estreito, Scott Bessent respondeu que julga que a passagem ocorrerá em condições de "liberdade de circulação".
A situação continua tensa no estreito de Ormuz, onde um navio foi novamente atingido durante a noite, apesar do otimismo demonstrado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que garante que as negociações com o Irão estão a avançar e que esta rota marítima estratégica poderá reabrir já hoje.
O Irão negou a existência de qualquer diálogo com os Estados Unidos, mas admitiu novas conversações com Omã.
"Não estamos a negociar com os Estados Unidos neste momento. Estamos a negociar com Omã para garantir a passagem pelo estreito de Ormuz", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, na segunda-feira, durante a conferência de imprensa semanal.
Na segunda-feira, o chefe de Estado norte-americano de 80 anos desmentiu a República Islâmica e disse que as negociações estavam a decorrer "neste preciso momento".
"Esta é a última oportunidade que os iranianos têm de assinar um bom acordo", disse o republicano aos jornalistas na Casa Branca, referindo-se a discussões que incidem, em particular, na reabertura do estreito, possível "já amanhã", assegurou.
Scott Bessent mostrou-se otimista quanto aos efeitos que um acordo com o Irão teria sobre os preços da energia, precisando que centenas de navios aguardavam para poderem retomar a sua rota.
"Embora a situação continue um pouco tensa desde há alguns dias, temos visto bastantes navios a sair do estreito, mesmo neste momento", afirmou.
"Espero, portanto, que os preços da energia voltem ao normal, o que, como já disse, será benéfico para o mundo inteiro", acrescentou o secretário do Tesouro.
Por volta da 01:00 em Lisboa, o barril de petróleo WTI norte-americano subiu 0,49% para 80,73 dólares (70,2 euros), enquanto o Brent do mar do Norte, referência mundial, avançava 0,6% para 84,27 dólares (73,2 euros).
Também na segunda-feira, Trump acusou as petrolíferas norte-americanas de ganharem "dinheiro a mais" e exigiu mesmo a descida dos preços.
"Não gosto disto. Estão a ganhar muito dinheiro. Aproveitando-se da escassez, estão a lucrar demasiado", disse o líder norte-americano aos jornalistas na Casa Branca.
Afirmando ser "um forte defensor da livre iniciativa", Trump citou a ExxonMobil e a Chevron como algumas das que mais lucraram com as consequências da guerra lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra o Irão, que fez disparar os preços dos bens petrolíferos.
"Quando se vê que uma empresa multiplicou por doze o que gerou no ano anterior, deve devolver parte desse lucro ao público", insistiu o líder da Casa Branca, observando que as grandes petrolíferas "têm todos os incentivos para baixar os preços nas bombas de gasolina".
A ExxonMobil anunciou que o seu lucro líquido duplicou no segundo trimestre de 2026, atingindo os 14,5 mil milhões de dólares (12,6 mil milhões de euros), enquanto a Chevron registou 12,1 mil milhões de dólares (10,1 mil milhões de euros), cinco vezes mais do que um ano antes.
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