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Autoridade Palestiniana condenou EUA por proibir vistos que impedem presença nas Nações Unidas

Pelo segundo ano consecutivo, a Administração norte-americana negou vistos a uma delegação palestiniana de alto nível que pretendia participar na reunião anual de líderes mundiais nas Nações Unidas.

A Autoridade Palestiniana condenou hoje a decisão que considerou injustificada após a recusa dos Estados Unidos em conceder vistos aos líderes palestinianos — incluindo Mahmoud Abbas — para participarem na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, na próxima semana.

EUA proíbe vistos a delegação palestiniana para a ONU
EUA proíbe vistos a delegação palestiniana para a ONU TIMOTHY A. CLARY/AFP/Getty Images

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Autoridade Palestiniana afirmou "rejeitar" a decisão norte-americana, afirmando que vai contra os esforços para reconstruir a confiança e desenvolver as relações palestiniano-americanas.

Pelo segundo ano consecutivo, a Administração norte-americana negou vistos a uma delegação palestiniana de alto nível que pretendia participar na reunião anual de líderes mundiais nas Nações Unidas.

O Departamento de Estado norte-americano afirmou na quarta-feira que as autoridades palestinianas — incluindo o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas — não cumpriram os compromissos assumidos nos acordos anteriores de procura da paz com Israel.

Em comunicado, o departamento declarou que a Autoridade Palestiniana continuou a mover ações judiciais contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça e no Tribunal Penal Internacional, além de manter o pagamento de ajudas financeiras às famílias dos prisioneiros condenados por ataques contra israelitas.

O organismo mencionou ainda autoridades ligadas à Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

"Como consequência da falta de reformas — contrariando os compromissos assumidos com os Estados Unidos — e das atividades contínuas que minam as perspetivas de paz, os Estados Unidos vão prorrogar as sanções que negam vistos a membros da OLP e autoridades da Autoridade Palestiniana", em conformidade com a legislação vigente, informou o departamento de Estados norte-americano.

A medida é a mais recente iniciativa da Administração de Donald Trump para restringir a concessão de vistos e reforça a aliança dos Estados Unidos com Israel, país que tem enfrentado o isolamento internacional devido à guerra em Gaza, iniciada após os ataques letais do Hamas a 7 de outubro de 2023.

Um cessar-fogo precário, mediado pelos EUA, entrou em vigor em outubro, mas Israel continuou a realizar ataques em território palestiniano.

A decisão ocorreu numa altura em que a Administração Trump lançou uma campanha para desmantelar o Tribunal Penal Internacional (TPI), acusando o tribunal de tentar processar injustamente soldados norte-americanos e israelitas por alegados crimes no Afeganistão, no Iraque e em Gaza.

Nem Israel nem os Estados Unidos são membros do tribunal internacional.

Apesar da recusa de vistos, os palestinianos vão ser representados na reunião de alto nível da Assembleia Geral da ONU, na próxima semana, por diplomatas que já têm acreditação junto das Nações Unidas.

No ano passado, Abbas participou através de videoconferência.