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Venezuela: ONU alerta que estruturas estatais de repressão continuam "intactas"

Lusa 17 de setembro de 2026 às 08:11

“Os venezuelanos merecem mudanças reais e significativas nesta matéria, não avanços tentativos e incompletos”, advertiu a presidente da Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre a Venezuela da ONU.

As Nações Unidas consideraram esta quarta-feira que as instituições estatais responsáveis pela repressão e violações de direitos humanos no país continuam “intactas”, apesar de melhorias “limitadas” registadas no último ano.

Sismos causaram grande destruição na Venezuela AP

“Enquanto não forem desmanteladas as estruturas repressivas, garantida a independência judicial e devidamente investigados e sancionados os responsáveis por violações de direitos humanos, qualquer abertura permanecerá frágil e reversível,” apontou a Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre a Venezuela da ONU.

“Os venezuelanos merecem mudanças reais e significativas nesta matéria, não avanços tentativos e incompletos”, advertiu a presidente da Missão, Sofía Macher.

As conclusões acompanham um relatório que assinala uma “redução significativa das detenções prolongadas e dos desaparecimentos forçados” após a captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro na operação norte-americana contra Caracas em 03 de janeiro.

A Missão identificou cerca de vinte funcionários pela sua participação em “graves violações” de direitos humanos, que “continuam a ocupar, ou foram reassinados para cargos-chave” depois da transferência de poderes para a presidente interina Delcy Rodríguez, antiga número dois de Maduro.

O relatório reconhece a “redução de algumas das formas mais severas de repressão”, incluindo a libertação de centenas de presos políticos e um contexto mais favorável para protestos e reuniões públicas, mas lamenta que “a impunidade pelos crimes do passado persista”.

Os pequenos avanços, acrescenta, “não foram acompanhados das reformas institucionais necessárias para garantir uma melhoria significativa e sustentada da situação dos direitos humanos” e a Missão chegou mesmo a investigar 64 novos casos de tortura após 03 de janeiro.

A ONU denunciou ainda a vigência de leis usadas para “criminalizar a dissidência”, bem como o facto de as forças de segurança e os serviços de informação “manterem essencialmente as mesmas estruturas, políticas e práticas”.

O relatório sublinha também a necessidade de “desarmar ou desmantelar” grupos comunitários que têm sido “uma fonte permanente de intimidação e violência” e sobre os quais o Executivo de Rodríguez não interveio.

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