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"Um tipo duro" e "implacável" com um look nazi: Gregory Bovino, o líder do ICE no terreno

Isabel Dantas 25 de janeiro de 2026 às 10:30

Sob o seu comando o Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) tem realizado milhares de detenções de imigrantes nos Estados Unidos.

A campanha de repressão de imigrantes em várias cidades norte-americanas levada a cabo nos últimos meses a mando da administração Trump tem um rosto: Gregory Bovino. Foi promovido ao cargo de comandante geral da Patrulha de Fronteira pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, numa fase em que o presidente norte-americano se mostrava descontente com o ritmo das deportações de imigrantes, criticando a atuação do Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) por não realizar mais detenções. Até que em junho Bovino, um defensor de táticas agressivas, entrou em cena.   
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Agente da patrulha de fronteira, G. Bovino, acompanha imprensa
Foto: AP
Agentes federais da patrulha fronteiriça em serviço
Foto: AP
Agentes da polícia e da patrulha de fronteira em serviço
Foto: AP
Foi colocado no comando da campanha anti-imigração em Los Angeles, onde foram realizadas milhares de detenções. Seguiram-se Chicago, Charlotte, New Orleans e Minneapolis, onde se encontra por estes dias. A atuação do ICE sob a sua liderança tem sido marcada por ações violentas, como vidros de carros partidos, portas de residências arrombadas, patrulhamentos a cavalo instigando o medo, uso de gás lacrimogéneo e gás pimenta, além de ações violentas para dispersar multidões.  Os seus métodos controversos na detenção de imigrantes - que já causaram vítimas mortais - têm merecido forte oposição por parte da opinião pública norte-americana. Já foi visto a incitar os seus agentes a atacar violentamente manifestantes e ele próprio foi filmado a usar gás lacrimogéneo
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Vestido com equipamento militar, faz por aparecer em vídeos com armas de grande calibre. Na foto de perfil da sua conta na rede social X aparece com um colete à prova de bala e com uma potente arma de longo alcance na mão. 

De quase reformado à ribalta

Bovino, de 55 anos, nasceu na Carolina do Norte, tendo crescido numa zona montanhosa. Estudou  Recursos Naturais e Administração Pública, tendo entrado para a Patrulha da Fronteira em 1996. Em 2004 foi nomeado chefe adjunto da Divisão de Operações Especiais na sede da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), em Washington, a agência que supervisiona a Patrulha da Fronteira. Em 2018 foi designado chefe da patrulha do setor de Nova Orleans.
Esteve perto de se reformar, depois de se mostrar publicamente muito crítico das políticas de imigração de Joe Biden. Mas a chegada de Donald Trump à Casa Branca catapultou-o para a ribalta; entre o movimento MAGA (Make America Great Again) é descrito como um "tipo duro" e "implacável".
Mal o republicado chegou ao poder, fez de tudo para chamar a atenção do novo presidente. Bovino enviou dezenas de agentes ao Condado de Kern, na Califórnia, para realizar detenções em postos de gasolina, aterrorizando a comunidade migrante agrícola do estado. Disse que queria prender criminosos, mas a verdade é que apenas uma das 78 pessoas que deteve tinha antecedentes criminais.   Alvo críticas também em Minneapolis, Bovino já garantiu que as operações que tem levado a cabo são "legais, direcionadas e focadas em indivíduos que representam uma ameaça grave”, afiançando que “não são aleatórias nem têm motivação política”.

Look nazi

Recentemente Gregory Bovino surgiu com um sobretudo que não passou ao lado da imprensa alemã. Alguns comentadores dizem que faz lembrar os que eram usados pelos nazis, falando numa "estética fascista". O 'Der Spiegel' dizia mesmo que com o sobretudo e o seu cabelo cortado à escovinha, Bovino assemelhava-se a um oficial nazi. “Não é de admirar que figuras como Bovino estejam a recorrer a modelos testados e aprovados”, pode ler-se. Enquanto os outros agentes federais parecem usar “qualquer coisa que tenham à mão”, Bovino “destaca-se entre a turba de valentões como um elegante oficial da SS se destaca da tumultuosa SA. O corte de cabelo 'undercut' estiloso também está perfeito; tudo o que falta para o look perfeito é um monóculo.” Outro jornal alemão, o 'Süddeutsche Zeitung' também analisou o outfit de Bovino. “Outros países também tinham estes sobretudos, mas o fato de Bovino completa o aspeto nazi: um corte de cabelo muito curto, como se tivesse levado uma foto de [Ernst Röhm, oficial alemão, um dos principais membros do partido nazi] ao barbeiro”, lia-se no texto.
Sobretudo de Bovino não escapou ao olhar crítico da imprensa alemã AP
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