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Repressão no Irão: "A Guarda Revolucionária matou pessoas ao injetar ar nelas"

Luana Augusto 17 de janeiro de 2026 às 09:44

Advogado exilado contou ao 'El Mundo' que o número de mortos no Irão é muito superior ao que se tem relatado e que a vida está tão cara que "comer ovos tornou-se um luxo".

Os poucos vídeos que conseguiram contornar o bloqueio de Internet no Irão mostram as cenas de terror que se têm vivido no país, com os hospitais lotados de civis baleados pelas forças de segurança. Apesar de as imagens falarem por si, o jornal conseguiu obter depoimentos de um advogado, que se encontra exilado em Espanha, e que relata uma onda de violência sem precedentes. "A minha tia é cirurgiã em Teerão e ela contou-me que a noite de sexta-feira foi a pior. Operaram quatro pessoas que haviam sido baleadas na cabeça e no pescoço. Elas foram transferidas para a UTI [Unidade de Tratamento Intensivo], mas a Guarda Revolucionária entrou na unidade e matou essas pessoas ao injetar ar nelas", recorda.
Manifestantes iranianos mostram apoio ao príncipe Reza Pahlavi e protestam contra a ditadura islâmica Foto AP/Gregorio Borgia
As principais cidades iranianas têm sido abaladas por protestos contra o aumento dos custos de vida, desde o final de dezembro, e o regime tem tratado os manifestantes como "terroristas". O cenário de caos levou o Irão a colocar polícias e militares nas ruas e, como consequência, já morreram mais de 2.600 pessoas, segundo o grupo de direitos humanos HRANA, e quase 20 mil foram presas. Ainda assim, estes números parecem estar muito abaixo daquele que se verificou na realidade, segundo o advogado. Reza afirma que o número de mortos é bastante superior. "Na sexta-feira, 9 de janeiro, somente na cidade de Mashhad, 5 mil pessoas foram mortas. No norte, em Rasht, morreram 1.500 pessoas num único dia", garante. Um amigo contou ainda a este advogado que no Rasht Grand Bazaar - um antigo mercado muito conhecido - "as forças de segurança começaram disparar contra as pessoas e incendiaram um prédio", deixando dezenas de pessoas presas lá dentro. "Foram baleados enquanto saíam do mercado, para fugir das chamas." Reza era ainda uma criança quando a República Islâmica foi instaurada. Apesar disso, recorda-se de alguns episódios de violência no país. "Lembro-me de como a Guarda Revolucionária assediou os estudantes: atiraram um deles pela janela do terceiro andar." Alguns anos depois, teve de fugir do país: as autoridades começaram a persegui-lo por causa do seu doutorado em Direitos Humanos. Acabou por se exilar em Espanha. "Durante os protestos 'Mulheres, Vida e Liberdade' [em 2022], questionei o governo iraniano nas minhas redes sociais. Então eles prenderam o meu pai, que tinha 79 anos na época. Passou três meses na prisão, foi torturado e agora está surdo de um ouvido." Apesar de estar fora do país, Reza fala com a irmã e é ela que lhe fala sobre o atual estado económico do país. "Comer ovos tornou-se um luxo para muitas famílias. Muitas não comem mais frango ou carne."
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