“Deram cabo de mim": prisioneiro político relata situações de abuso e fome em prisão cubana
Atualmente existem 1.200 presos políticos no sistema prisional do país e o relato de maus tratos, humilhação, fome e abusos por parte de Alexander Díaz Rodríguez ao jornal espanhol ABC não é um caso isolado.
O preso político cubano Alexander Díaz Rodríguez tem apenas 45 anos mas aparenta ter pelo menos 65. Saiu há pouco tempo de uma prisão cubana depois de ter estado cinco anos detido por participar em protestos antigovernamentais em julho de 2021. Em entrevista ao jornal espanhol ABC relata maus tratos, fome e abuso nos estabelecimentos prisionais da ilha.
“Era uma pessoa corpulenta, saudável, perdi mais de 45 quilos, quando caminho pelas ruas tenho de me sentar e recuperar o fôlego, deram cabo de mim”, declara o homem acusado de crimes de “desordem pública”, “desacato” e “ultraje aos símbolos patrióticos”.
“Passei muita fome”, assegura, explicando que na maioria das vezes comia uma colher de arroz, uma colher de peixe e um pouco de sopa. “Uma criança de oito anos come isso e ainda fica com fome”, afirma.
Durante o tempo na prisão foi-lhe diagnosticado um cancro na tiroide e recomendado por uma médica uma dieta reforçada com carne, frutas e legumes. Contudo, ao regressar ao estabelecimento, os guardas gozaram com ele. “Nem nós comemos isso, essa médica está louca”, ouviu. Também acabou por não receber tratamento para a doença nem acompanhamento médico.
Além de ter passado fome, Alexander relata ainda casos de abuso a que foi sujeito, que o levaram várias vezes a fazer greves de fome, exigindo os seus direitos. “Estive em muitas celas de castigo, deram-me pancadas, partiram-me as costas e vários dentes”, diz. Antes de ir para a prisão trabalhava no setor da restauração mas por agora está focado em recuperar as forças e seguir em frente.
Apesar de estar em liberdade continua a temer pela sua vida, não só devido ao seu estado de saúde mas também pelo assédio da Segurança do Estado. Antes de ser libertado a polícia ameaçou-o com o regresso à prisão caso se envolvesse em novos protestos ou movimentos de oposição. “Às vezes vejo-os a seguirem-me, também temo que me façam algo na rua, que mandem alguém dar-me uma tareia ou até matar-me, porque isso já foi feito a outras pessoas”, afirma. “Temo pela minha saúde e pela minha vida, ambas estão em perigo”, reforça.
O relato de desnutrição e maus tratos de Alexander não é um caso isolado, é um reflexo das condições dos estabelecimentos prisionais cubanos onde os prisioneiros sofrem de sobrelotação, fome, trabalhos forçados, agressões, humilhações e muito mais. Atualmente existem em Cuba 1.200 presos políticos, segundo a ONG Prisioners Defenders citada pela ABC.
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