Presidente da Nicarágua diz que o país não terá eleições tão cedo
No poder há quase 20 anos, Daniel Ortega não parece disposto a abandonar o cargo de presidente, para o qual estavam previstas eleições em novembro do próximo ano.
No aniversário da Revolução Sandinista, que derrubou a ditadura da dinastia Somoza em 1979, Ortega anunciou que o país não realizará eleições presidenciais tão cedo, numa declaração que antevê a sua permanência no cargo que ocupa ininterruptamente desde 2007.
“Não haverá mais eleições”, disse Ortega este domingo durante o discurso, no qual atacou o seu antigo adversário, os Estados Unidos, que ocuparam a Nicarágua entre 1909 e 1933. “Partidos criados pelos ianques, criados pelo regime de Somoza, regressarem ao poder? Essa história acabou.”
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Daniel Ortega chegou pela primeira vez ao poder em 1979, após a Revolução Sandinista que derrubou uma ditadura de 43 anos, pondo fim à dinastia Somoza. Nesse ano, integrou o governo revolucionário, mas só assumiu formalmente o cargo de presidente em 1985. Esse primeiro mandato prolongou-se até 1990, quando perdeu as eleições para Violeta Barrios de Chamorro, candidata da União Nacional Opositora (UNO), uma coligação de partidos que ia da esquerda moderada à direita. Uma história que Daniel Ortega, líder da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), não parece querer ver repetida.
Em janeiro de 2025, o Congresso aprovou a extensão do mandato presidencial de cinco para seis anos e, segundo a Associated Press, opositores e grupos de defesa dos direitos humanos consideram que o anúncio de domingo representa mais um passo na consolidação do poder de Ortega na Nicarágua.
Mesmo após os protestos de 2018, que resultaram numa forte repressão governamental e em centenas de mortos, Ortega e a sua esposa e co-presidente, Rosario Murillo, têm-se mantido firmes no poder. Em 2021, Ortega declarou-se vencedor das eleições, depois de mandar prender todos os candidatos que o poderiam derrotar, levando a que a sua posição seja considerada ilegítima por grande parte da comunidade internacional.
“Ortega e Murillo parecem temer que a mais pequena abertura política possa criar condições para a expressão da dissidência e pôr em causa a sua permanência no poder”, afirmou Tiziano Breda, analista sénior para a América Latina da organização independente de monitorização de conflitos ACLED, citado pela AP. “Em vez de realizar uma eleição manipulada, optaram por eliminar completamente a competição eleitoral”, acrescentou.