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Presidência Argentina cria órgão para desmentir as "mentiras" da imprensa

Lusa 06 de fevereiro de 2026 às 08:10

"Limitar-se a 'informar' não é suficiente se a desinformação avança sem resposta", defende o gabinete de resposta oficial.

A presidência argentina inaugurou na quinta-feira um "Gabinete de resposta oficial" com o objetivo, segundo o presidente Javier Milei, de "desmascarar as mentiras e manobras dos meios de comunicação" sobre a ação governamental.
Javier Milei cria órgão para combater notícias falsas na Argentina Luis Gandarillas/Pool Photo via AP, File
Esta medida suscitou de imediato a preocupação dos profissionais do setor. Na sua primeira mensagem na rede social X, este órgão explica ter sido criado "para desmentir ativamente as mentiras, apontar falsidades concretas e destacar as manobras dos média e da casta política". "Limitar-se a 'informar' não é suficiente se a desinformação avança sem resposta", acrescenta a mensagem. "Além de informar, é preciso desmentir de forma clara e direta", adianta. O presidente ultraliberal Javier Milei colocou o anúncio inaugural na sua própria conta no X, acrescentando um comentário: "Para desmascarar as mentiras e manobras dos meios de comunicação social". Nem a conta do "Gabinete" nem qualquer comentário oficial que acompanhe o seu lançamento especificam como funcionará ou quem administrará a conta, distinta da conta oficial da presidência argentina.
A iniciativa surge na sequência das relações conflituosas de Javier Milei com a imprensa, que o chefe de Estado argentino regularmente denegriu, e até insultou, atacando jornalistas nominalmente, durante o seu primeiro ano e meio de mandato, antes de uma relativa acalmia, desde meados de 2025. O jornal Clarin (conservador), alvo regular de Milei, foi o primeiro a ser atingido pelo "Gabinete de resposta oficial", sendo acusado de uma "manobra grosseira" ao ter publicado um artigo sobre supostos "atrasos" no programa governamental de assistência social e emprego. A influente associação de meios de comunicação argentinos Adepa expressou num comunicado a sua "preocupação" com esta conta, que "parte do pressuposto de que alguém mente" e recordou que, numa democracia, "o Estado é mais uma fonte de informação, não o árbitro da verdade pública". Este tipo de organismo estatal "corre o risco de se transformar num mecanismo de vigilância, estigmatização ou repressão indireta do jornalismo e das opiniões críticas", sublinha a Adepa. A iniciativa lembra o site "Media Bias", lançado no final de 2025 nos Estados Unidos, que se apresenta como "um recenseamento de informações falsas e enganosas dos meios de comunicação, sinalizadas pela Casa Branca", cujo inquilino, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um aliado próximo de Javier Milei.
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