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Pelo menos oito jornalistas detidos na Venezuela: cobriam os protestos na rua

Lusa 05 de janeiro de 2026 às 22:55

Colégio Nacional de Jornalistas instou as autoridades venezuelanas a libertarem imediatamente os detidos.

O Colégio Nacional de Jornalistas (CNP) da Venezuela denunciou esta segunda-feira a detenção de pelo menos oito profissionais da imprensa, a maioria dos quais cobria a abertura da nova sessão parlamentar e protestos de rua paralelos.
Jornalistas detidos na Venezuela enquanto cobriam protestos Foto AP/Martin Mejia
Num comunicado nas redes sociais, o CNP especificou que três dos oito detidos já foram libertados e instou as autoridades venezuelanas a libertarem imediatamente os restantes. Por sua vez, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) declarou que "não é possível avançar para uma transição democrática enquanto persistirem a perseguição política, a censura, a prisão arbitrária e a violação sistemática dos direitos fundamentais". O SNTP exigiu a libertação de 23 jornalistas e profissionais da comunicação social detidos no país "injusta e arbitrariamente" devido às suas reportagens. Alertou ainda para o bloqueio de mais de 60 órgãos de comunicação online, o que considera ser uma "forma de censura estrutural que restringe o pluralismo mediático". Após a captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro, e da sua mulher pelas forças norte-americanas no sábado, a Assembleia Nacional, dominada pelo regime, reelegeu hoje Jorge Rodríguez como presidente, numa sessão que contou com novas figuras da oposição. O presidente reeleito da Assembleia empossou depois como Presidente interina a sua irmã, Delcy Rodríguez, que se tornou a primeira mulher a chefiar o poder executivo no país sul-americano. Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela" para capturar e julgar Nicolás Maduro e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder. Maduro e a mulher prestaram hoje breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos declararam-se inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março. A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro. A União Europeia defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição María Corina Machado e Edmundo González, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar dos EUA poderá ter "implicações preocupantes" para a região, mostrando-se preocupado com a possível "intensificação da instabilidade interna" na Venezuela.
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