O número total de mortos em Moçambique ascendeu para 228, com mais de 863 mil pessoas afetadas desde outubro, além de 12 desaparecidos e 321 feridos.
A ADPP Moçambique está a distribuir cinco toneladas de roupa em segunda mão a vítimas das recentes cheias nas províncias moçambicanas de Maputo, Gaza e Inhambane, anunciou este sábado aquela Organização Não-Governamental (ONG).
De acordo com uma nota da ADPP, a primeira entrega aconteceu em 17 de fevereiro, em colaboração com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), no centro de acolhimento da Escola Básica 19 de Outubro, distrito de Boane, Maputo.
"Nos próximos dias estão programadas ações similares nos centros de acolhimento do distrito de Marracuene, abrangendo a restante quantidade das cinco toneladas disponibilizadas nesta fase", explica a ADPP (Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo).
Segundo Moniz Comboio, representante da ADPP, a organização "ficou profundamente sensibilizada com o impacto positivo que o vestuário teve na vida das famílias afetadas nas cheias de 2023", naquele mesmo centro de acolhimento agora apoiado, em Boane.
"Mobilizámo-nos novamente para apoiar com uma tonelada e meia, correspondente a 480 pacotes para igual número de famílias. A restante quantidade será distribuída nos centros do distrito de Marracuene", disse.
O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende para 228, com mais de 863 mil pessoas afetadas desde outubro, segundo atualização divulgada na quinta-feira pelo INGD, além de 12 desaparecidos e 321 feridos.
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 27 mortos - afetando 724.131 pessoas - e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, levou à morte de outras quatro pessoas, segundo os dados do INGD sobre a época das chuvas.
A ADPP Moçambique trabalha nas áreas da educação de qualidade, saúde e bem-estar, agricultura sustentável e ambiente. Criada em 1982, a ONG realiza intervenções por todo o país com a implementação de mais de 50 projetos, referindo empregar atualmente cerca de 3.300 pessoas e beneficiando 8,2 milhões de moçambicanos anualmente.
Uma das atividades da ADPP em Moçambique é precisamente o vestuário em segunda mão, o qual representa uma "alternativa de sobrevivência" no país, garantindo "mais de 200 mil empregos formais e informais" e apoiando um milhão de pessoas, segundo um estudo divulgado em março passado pela Lusa.
O relatório sobre o vestuário em segunda mão - conhecido também por calamidade - em Moçambique, realizado pela Consulting For Africa e pela Abalon Capital Limitada, encomendado pela ADPP Moçambique, concluiu pelo "papel vital" daquela atividade "na vida quotidiana e na economia" do país, sendo mesmo "catalisador para o crescimento económico".
O documento acrescenta que em Moçambique "todos os principais mercados têm grandes concentrações de vendedores de roupa em segunda mão, particularmente mulheres e jovens", sendo uma atividade âncora, juntamente com a venda de alimentos, dos mercados urbanos.
"Estimamos que, nos últimos cinco anos, Moçambique importou cerca de 36.750 toneladas/ano, e que a procura cresceu 3,5% no ano passado. A nossa análise sugere que uma tonelada de importações de vestuário em segunda mão sustenta cerca de 7,8 empregos, tanto direta quanto indiretamente", afirma o estudo.
Um mercado que "fornece roupas baratas, diversificadas e acessíveis para milhões de pessoas que vivem na pobreza", sublinha igualmente.