Mulher de Sánchez proibida de sair de Espanha e obrigada a entregar o passaporte
Begoña Gómez vai a julgamento pelos alegados crimes de tráfico de influência, corrupção em negócios do setor privado, apropriação indevida e desvio de fundos públicos. Uma assessora da Presidência do Governo também está envolvida.
A mulher do primeiro-ministro espanhol, Begoña Gómez, terá de entregar o passaporte esta quarta-feira, dia 24, e está proibida de sair de Espanha, além de ter de se apresentar em tribunal quinzenalmente. Em causa está um processo judicial em que é acusada de crimes como tráfico de influência, corrupção em negócios do setor privado, apropriação indevida e desvio de fundos públicos.
As medidas cautelares aplicam-se também a uma assessora de Begoña Gómez, Cristina Álvarez, e ambas devem comparecer às 18h de quarta-feira no tribunal para a entrega do passaporte. O juiz Juan Carlos Peinado indicou que têm de “entregar o passaporte emitido em seu nome" e informar "se possuem algum passaporte além do passaporte espanhol comum, seja ele diplomático ou de outra nacionalidade”, avançou a imprensa espanhola.
O magistrado determinou que as medidas estarão em vigor “durante o tempo que durar o processo e até ser emitida uma resolução final”, devido à existência de “indicações racionais de criminalidade de um ato criminal”. “Quanto maior a severidade da pena, mais intensa pode ser a tentação de fugir e maior o dano que, se a fuga se concretizar, a intenção de fugir sofrerá preservar a ação da justiça”, esclareceu.
Por se tratar da mulher do primeiro-ministro, Begoña Gómez está constantemente acompanhada por segurança, o que poderia facilitar uma fuga, explicou o juiz: “Não há dúvida de que estes agentes, num dado momento, podem, seja por iniciativa própria ou seguindo ordens dos seus superiores hierárquicos, ser precisamente aqueles que colaboram na ação ou ações que são executadas, para facilitar essa fuga, o que torna impossível que o arguido esteja à disposição da justiça."
O juiz também abriu um outro inquérito, esta sexta-feira, dia 19, pelos alegados crimes de prevaricação e fraude aos interesses da União Europeia em relação a Barrabés. Peinado considerou que Gómez aproveitou o estatuto de mulher do primeiro-ministro em benefício próprio.
Os crimes de que é acusada estão relacionados com o trabalho de Gómez numa universidade, em que o juiz considera ter sido favorecida por “determinadas decisões públicas”. Segundo o magistrado, a mulher de Sánchez mobilizou fundos privados "não para a cátedra universitária pública", que considerou ser uma fachada, mas para "os integrar no património pessoal".
O alegado desvio de fundos públicos está relacionado com a assessora da Presidência do Governo, que auferia um salário vindo de fundos públicos, mas de acordo com o juiz, prestava serviços a Gómez. Já o crime de apropriação indevida tem a ver com o registo e uso, por parte de Gómez, de um software desenvolvido na universidade.
Com Diogo Barreto