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Israel impede cardeal de celebrar o Domingo de Ramos: é a "primeira vez em séculos" que tal acontece

Luana Augusto 29 de março de 2026 às 19:24

Patriarcado garantiu ter cumprido sempre com todas as "restrições impostas", mas afirmou que esta decisão é "manifestamente irracional". Vários países, incluindo Portugal, entretanto já condenaram a ação de Israel.

A polícia israelita impediu neste domingo o cardeal de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, de entrar na Igreja do Santo Sepulcro para celebrar o Domingo de Ramos. Segundo o patriarcado, este cenário - que acontece devido às crescentes preocupações que se levantam devido à guerra no Irão - geram alguma preocupação, sendo a "primeira vez em séculos" que tal se sucede.

Cardeal Pierbattista Pizzaballa impedido de entrar na Igreja do Santo Sepulcro Foto de Ammar Awad/Pool via AP

"Como resultado, e pela primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a Missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro", afirmou o Patriarcado Latino de Jerusalém em comunicado.

O cardeal Pierbattista Pizzaballa e o frei Francesco Ielpo foram abordados pelas autoridades israelitas quando se dirigiam para a igreja em questão - onde se acredita que Jesus Cristo tenha sido crucificado e onde estava planeado celebrar-se a missa para marcar o início da Semana Santa. "Este incidente constitui um precedente grave e desrespeita a sensibilidade de bilhões de pessoas em todo o mundo, que, nesta semana, voltam os olhares para Jerusalém", condenou o patriarcado. "Essa decisão precipitada, contaminada por considerações impróprias, representa um afastamento extremo dos princípios básicos da razoabilidade, da liberdade de culto e do respeito ao status quo."

O patriarcado garantiu ter cumprido sempre todas as "restrições impostas" e agido com responsabilidade desde o início da guerra. Criticou, por isso, a decisão das autoridades ao considerar que se trata de uma "medida manifestamente irracional e grosseiramente desproporcional".

Enquanto isso, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que a polícia agiu com preocupações "especiais" de segurança e informou que estava a ser elaborado um plano para permitir que líderes religiosos realizassem os cultos no local nos próximos dias. "Num dos ataques, caíram fragmentos de mísseis a poucos metros da Igreja do Santo Sepulcro", disse num comunicado partilhado na rede social X e citado pela .

Não havendo para já conclusões, aconselhou também os fiéis de "todas as regiões" a não visitar a Cidade Velha de Jerusalém por motivos de segurança, após ataques recentes iranianos. "Como resultado, Israel pediu temporariamente aos fiéis de todas as religiões que não realizem cultos nos locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém, a fim de protegê-los", acrescentou Netanyahu.

Segundo explicou a polícia, "a Cidade Velha e os locais sagrados constituem uma área complexa que não permite o acesso de grandes veículos de emergência e resgate, o que representa um desafio significativo para a capacidade de resposta e um risco real para a vida humana em caso de um incidente com múltiplas vítimas".

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa - a semana mais importante do calendário cristão, que antecede a Páscoa - e é nesta altura que a Cidade Velha fica movimentada. Porém, este ano, os cristãos, muçulmanos e judeus não puderam celebrar a Páscoa, o Ramadão e o Pessach como de costumo devido às restrições policiais. A mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, ficou praticamente vazia durante o Ramadão e foram poucos os fiéis que compareceram no Muro das Lamentações - o local sagrado para o judaísmo. Já a tradicional procissão de Domingo de Ramos pela cidade foi cancelada devido às aglomerações públicas que podem constituir um perigo para os habitantes e a cidade.

Portugal entretanto já condenou a decisão de Israel. "O impedimento do acesso do Cardeal Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, à igreja do Santo Sepulcro para as celebrações do Domingo de Ramos, que seriam apenas retransmitidas, merece a mais firme reprovação. Exorta-se as autoridades israelitas a garantirem e praticarem a liberdade de religião e de culto", escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros na rede social X.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, criticou também esta ação policial e afirmou num comunicado que negar a entrada a líderes religiosos constitui uma ofensa não apenas aos fiéis, mas a todas as comunidades que reconhecem a liberdade religiosa". O mesmo aconteceu com o presidente francês, Emmanuel Macron, que referiu que esta ação "se soma ao preocupante aumento das violações do estatuto dos Lugares Santos em Jerusalém".

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