Irão: Guarda Revolucionária ameaça cobrar por uso de cabos submarinos de Ormuz
A mensagem da Guarda Revolucionária surgiu horas depois de o Governo iraniano ter formalizado a criação de um novo organismo para a gestão do estreito de Ormuz.
A Guarda Revolucionária iraniana ameaçou hoje cobrar pela utilização dos cabos submarinos que atravessam o estreito de Ormuz, sublinhando que qualquer perturbação nesses equipamentos custaria à economia global "centenas de milhões de dólares por dia".
Numa mensagem publicada na plataforma digital Telegram, o Exército ideológico da República Islâmica afirmou que, em nome da "soberania absoluta" do Irão sobre as suas águas territoriais, o país "poderá declarar que todos os cabos de fibra ótica que atravessam o estreito estão sujeitos a licenças, monitorização e portagens".
A mensagem da Guarda Revolucionária surgiu horas depois de o Governo iraniano ter formalizado a criação de um novo organismo para a gestão do estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica para o comércio mundial de petróleo e derivados que Teerão controla desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, a 28 de fevereiro.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA, na sigla em inglês) já tem uma conta oficial, através da qual irá fornecer "atualizações em tempo real sobre as operações" no estreito.
O anúncio foi partilhado nas redes sociais pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional e pela Marinha da Guarda Revolucionária, noticiou a agência francesa AFP.
O Irão bloqueou o estreito de Ormuz logo no primeiro dia de uma ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel, a 28 de fevereiro, justificada com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Teerão retaliou também com ataques aos países da região, numa guerra que causou já milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano.
As competências exatas da nova estrutura não foram divulgadas de imediato, mas, segundo o jornal especializado Lloyd's List, cabe à PGSA "aprovar o trânsito de navios e cobrar taxas de passagem no Estreito de Ormuz".
As embarcações são obrigadas a fornecer informações pormenorizadas sobre o proprietário, o seguro, os membros da tripulação e a rota de trânsito prevista, de acordo com a mesma fonte.
No início de maio, a televisão estatal iraniana Press TV apresentou o novo organismo como um "sistema destinado a exercer a soberania" do Irão sobre o Estreito de Ormuz.
O presidente da comissão parlamentar de Segurança Nacional iraniana, Ebrahim Azizi, afirmou no domingo que o país tinha "instituído um mecanismo profissional de gestão de tráfego" no estreito, que estaria operacional em breve.
Desde o início do conflito, o Irão tem insistido que o tráfego no estreito "não voltará à situação anterior à guerra".
Teerão anunciou em abril que arrecadou as primeiras receitas provenientes das portagens impostas nesta via estratégica.
O controlo iraniano da passagem marítima por onde circula habitualmente cerca de um quinto da produção mundial de petróleo perturba os mercados energéticos globais e confere a Teerão um importante trunfo estratégico.
Os Estados Unidos mantêm um bloqueio aos portos iranianos desde 13 de abril, decretado um dia depois de terem falhado as primeiras negociações sobre o fim da guerra, sob mediação do Paquistão.
Para a realização das conversações, as duas partes acordaram um cessar-fogo, que está em vigor desde 08 de abril.