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Gustavo Petro critica EUA por ser primeiro país a bombardear uma capital sul-americana

Lusa 05 de janeiro de 2026 às 07:45

O Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Petro, a quem acusou de "fabricar cocaína", com o envio para a Colômbia de uma missão norte-americana como a que atacou vários pontos da Venezuela e capturou Maduro.

O Presidente da Colômbia criticou os Estados Unidos por serem o primeiro país a bombardear uma capital sul-americana, após o ataque de sábado a Caracas, dizendo que nem Netanyahu, Hitler, Franco ou Salazar o fizeram.
Gustavo Petro, presidente da Colômbia EPA
"Os EUA são o primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana em toda a história da humanidade. Nem Netanyahu o fez, nem Hitler, nem Franco, nem Salazar. Que medalha terrível essa, porque os sul-americanos não a esquecerão durante as próximas gerações", escreveu no domingo Gustavo Petro, na rede social X. Para o Presidente colombiano, "a ferida fica aberta durante muito tempo", mas "a vingança não deve existir" porque "mata o coração". "Os parceiros comerciais têm de mudar e a América Latina tem de se unir ou será tratada como um servo e escravo e não como o centro vital do mundo. Uma América Latina com capacidade para compreender, negociar e unir-se a todo o mundo. Não olhamos apenas para o norte, mas em todas as direções", escreveu o dirigente, numa longa mensagem. Pedro disse que pediu ao homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que procure uma aliança, "antes de tudo deve ser a própria América Latina, que está sendo bombardeada", após observar que a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), da qual a Colômbia detém a presidência temporária, não é um fórum com capacidade de atuação. "A CELAC atualmente não nos serve de nada por causa da sua regra de consenso absoluto, o que não falta é um ou uma presidente que prefere continuar a ser escravo de governos estrangeiros, que anseia ajoelhar-se perante o rei", afirmou, referindo-se a uma reunião virtual de ministros dos Negócios Estrangeiros convocada pela Colômbia para lidar com a situação na Venezuela, na qual não se chegou, no domingo, a qualquer acordo. Horas antes da publicação da mensagem, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Petro, a quem acusou de "fabricar cocaína", com o envio para a Colômbia de uma missão norte-americana como a que atacou vários pontos da Venezuela e capturou Maduro. Trump disse aos jornalistas a bordo do avião presidencial que, tal como a Venezuela, "a Colômbia também está muito doente", acrescentando que o país é "governado por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e isso é algo que ele não vai fazer durante muito tempo". A este respeito, Petro disse: "Rejeito profundamente que Trump fale sem saber, o meu nome em 50 anos não aparece nos ficheiros judiciais sobre tráfico de droga, nem antes nem agora. Pare de me caluniar, senhor Trump". "Não lê a história da Colômbia e é por isso que falha quando nos critica. Só deve reunir-se com os seus funcionários especializados em investigações sobre drogas na Colômbia a quem eu ajudei com as minhas próprias investigações como senador da República de esquerda da Colômbia e do seu povo", acrescentou o presidente do país andino. Numa outra conferência de imprensa realizada no sábado, na Florida, após a operação na Venezuela, Trump aproveitou para enviar advertências mais duras a Petro, com quem tem tido vários desentendimentos e a quem acusou diretamente de estar envolvido no tráfico de droga regional. No evento de sábado, Trump avisou o líder colombiano que ele deveria "tomar cuidado".
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