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Gronelândia. Eurodeputados portugueses pedem firmeza e união perante ameaças de Trump

Lusa 20 de janeiro de 2026 às 12:17

O eurodeputado do PS André Franqueira Rodrigues considerou que Donald Trump "é uma das principais ameaças à coesão interna" da NATO.

Os eurodeputados portugueses pedem à União Europeia (UE) firmeza perante as ameaças de Donald Trump sobre a Gronelândia e que admita a utilização do instrumento anti-coerção ou a aplicação de um pacote de tarifas retaliatórias.
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Em declarações à agência Lusa à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, que se realiza esta semana em Estrasburgo, o eurodeputado do PS André Franqueira Rodrigues considerou que Donald Trump "é uma das principais ameaças à coesão interna" da NATO e, perante as suas ameaças, a UE "tem de mostrar-se unida". "Tem de estudar todos os mecanismos que tem à sua disposição, nomeadamente o instrumento anti-coerção, para fazer face a um novo mundo que é motivado pela autêntica instabilidade com que o Presidente norte-americano se relaciona com os seus aliados", afirmou o eurodeputado, salientando que "não se lida com um 'bully' com apaziguamento". O eurodeputado do PSD Sebastião Bugalho considerou que a postura que a Comissão Europeia tem adotado perante a administração Trump é a correta: "Nunca deixa a hostilidade sem resposta, nunca põe nenhuma opção de defesa de parte, mas, ao mesmo tempo, não fecha a porta da negociação e do diálogo". No atual contexto, Bugalho defendeu que é essa postura que é preciso manter: "trabalhar para apaziguar" a tensão entre os Estados Unidos e a UE, mas pôr "todas as hipóteses" de retaliação em cima da mesa, incluindo descongelar um pacote de tarifas retaliatórias de 93 mil milhões de euros, preparado no verão caso não se chegasse comercial com os Estados Unidos, ou utilizar o instrumento europeu de anti-coerção, que poderia impedir o acesso de empresas dos Estados Unidos a certos mercados europeus. Por sua vez, o eurodeputado do Chega Tiago Moreira de Sá frisou que a relação com os Estados Unidos é "absolutamente essencial" e deve-se tentar resolver as questões da segurança do Ártico e da Gronelândia no âmbito da NATO, mas, caso o Presidente dos Estados Unidos aplique tarifas, a UE "tem de responder". "É difícil não retaliar, sobretudo quando houve numa primeira fase, e bem, uma vontade de negociar, até porque senão a UE é colocada numa posição de fraqueza tal que dificilmente é levada a sério a nível internacional", afirmou.
Também a eurodeputada do CDS-PP Ana Miguel Pedro considerou que, neste momento, a resposta "ainda deve ser da moderação, com firmeza", e procurar que a questão da Gronelândia seja discutida no âmbito da NATO, sem descartar medidas retaliatórias como o instrumento anti-coerção. "Mas deve imperar o bom senso, porque uma guerra comercial será má para ambas as partes. Portanto, moderação sim, mas com firmeza", disse. A eurodeputada da IL Ana Vasconcelos também pediu firmeza da UE perante as ameaças de Trump, salientando que o bloco está disposto a negociar, "mas não sob chantagem e ao custo da sua soberania", e frisou que o instrumento anti-coerção foi concebido precisamente para este tipo de situação. "Queremos evitar ir por essa via, mas os Estados Unidos não podem tratar os seus aliados desta forma e, portanto, é para isso que este instrumento está na mesa", defendeu À esquerda, a eurodeputada do BE Catarina Martins considerou que a UE "está a ser vítima das suas próprias ambiguidades", acusando-a de ter aceitado o "atropelo do direito internacional" na Faixa de Gaza e na Venezuela e agora estar "muito frágil quando Donald Trump começa a crescer para outros lados". "Acho que compensa ser firme, compensa não aceitar o que Donald Trump quer. O Brasil, desse ponto de vista, é um exemplo", frisou, pedindo que se admita utilizar o pacote de tarifas retaliatórias, o instrumento de anti-coerção e que se suspenda a ratificação do acordo comercial com os Estados Unidos. A mesma posição é partilhada pelo eurodeputado do PCP João Oliveira, que pediu à UE para "reagir de uma forma que contrarie a atitude de submissão e subserviência" face aos Estados Unidos, considerando que isso passa por medidas comerciais, mas não só. "Medidas de proteção e defesa dos setores produtivos das economias nacionais no espaço da UE são absolutamente essenciais (...) e medidas de alargamento das relações económicas com outros países, povos, regiões do mundo", defendeu.
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