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Filha ilegítima de Fidel recorda ditador: "Quando perdeu interesse pela minha mãe descartou-a, ela tornou-se lixo"

Isabel Dantas 19 de abril de 2026 às 11:50

Alina Fernández Revuelta, hoje com 70 anos, vive em Miami e olha com tristeza para o seu país.

Alina Fernández Revuelta tinha 10 anos quando descobriu que era filha de Fidel Castro, aquele homem que fazia discursos intermináveis na televisão quando as crianças da ilha queriam era ver os desenho animados. O seu pai não era o cardiologista Orlando Fernández, mas sim daquele amigo da mãe. "A primeira coisa que me lembro é a sensação de traição, porque quase todos ao meu redor sabiam, até mesmo minha melhor amiga, e isso magoou-me muito. Desde então, tenho fobia de mentiras", reconheceu Alina, hoje com 70 anos, em declarações ao jornal El País.

Alina Fernandez Revuelta quando saiu de Cuba, em 1993 AP

O ditador aparecia por vezes em sua casa, mas não havia propriamente uma relação pai/filha entre os dois, até porque Fidel "não sabia como lidar com uma criança".  "Além disso, ele não tinha interesse... Tinha 'explosões' paternais ocasionais, que sempre me surpreendiam", recorda a cubana, que hoje vive em Miami. "Ele nunca me deslumbrou, nem me hipnotizou, apesar da enorme devoção que eu sentia por ele."

Alina recorda que a mãe "sempre foi apaixonada por Fidel". "Estamos a falar de um homem com uma personalidade tipicamente narcisista e isso explica muita coisa, porque Cuba foi moldada à sua imagem. Mas quando ele perdeu o interesse pela minha mãe, quando deixou de lhe ser útil, ela tornou-se lixo e foi descartada. E a minha mãe nunca superou isso. É algo que nunca entendi, por mais que ela me tentasse explicar...”

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Alina com o pai, Fidel Castro
Foto: DR
Natalia Revuelta Clews, a mãe de Alina, que sempre foi apaixonada por Fidel Castro
Foto: AP

Em 1993 a filha de Fidel Castro conseguiu, depois de várias tentativas, deixar Cuba, fingindo ser uma turista espanhola. "Imitei um sotaque espanhol no aeroporto, usei maquilhagem carregada, peruca e boné. Eu era uma mulher de meia-idade, feliz por ter aproveitado alguns mojitos e sabe-se lá mais o quê nas praias de Cuba.”  

De Madrid viajou para Miami, onde onde se mantém até hoje, depois de lhe ter sido concedido asilo político. "Nós, cubanos, fomos sujeitos a uma experiência social completamente absurda: uma Revolução que durou quase 70 anos. Revoluções são supostamente períodos curtos na história. Questiono-me o que teria acontecido com os franceses se a deles tivesse durado 70 anos... Vivemos neste tipo de histeria política e ideológica antifamília há pelo menos cinco gerações", constatou Alina, que não usa o sobrenome que Castro lhe ofereceu aos 12 anos. "Quem estava interessado no sobrenome não era eu, mas sim minha mãe, que queria de alguma forma legitimar minha existência."

Alina não tem nem nunca teve relacionamento com os irmãos. "Uma das características mais estranhas de Fidel como pessoa era que ele não queria que os filhos se associassem ao resto da família e manteve-os isolados até que crescessem e pudessem sair um pouco do ninho. Por isso não tivemos muito contacto."

E é com tristeza que vê, ao longe, a situação de Cuba, economicamente estrangulada pelo bloqueio dos Estados Unidos, naquilo a que chama "um ponto sem retorno". "Se esta situação crítica de falta de energia elétrica continuar não sei o que poderá acontecer. É improvável que as pessoas consigam derrubar um país assim, a bater panelas e frigideiras. Acredito que ditaduras ascendem com um pouco de ajuda e também caem, desmoronam-se, com um novo empurrão. Internamente, é difícil conseguir isso."

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