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Entrada de migrantes em Ceuta coloca Espanha debaixo de fogo: Itália admite suspensão do espaço Schengen

Isabel Dantas 31 de julho de 2026 às 08:48

França também já manifestou a sua preocupação com o sucedido nos últimos dias.

A chegada de milhares de migrantes a Ceuta nos últimos dias - estima-se que até ao momento 49 mil pessoas tenham entrado ilegalmente no território - tornou-se um problema ao nível europeu e já abriu uma crise diplomática com Itália e França. Até a Casa Branca, do lado de lá do Atlântico, aproveitou para criticar a política de imigração de Espanha. 

Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol AP

Giorgia Meloni confessou-se impressionada com as imagens que viu e garantiu que Itália "não ficará de braços cruzados".  "Estamos a convocar os órgãos competentes e, no final dessas reuniões, estaremos prontos para intervir também com instrumentos extraordinários para defender as fronteiras e a segurança dos cidadãos, como a suspensão do espaço Schengen com a Espanha." Uma posição que foi também depois partilhada pela Finlândia.

A primeira ministra italiana garantiu também que não vai "recuar" um milímetro" no que toda à imigração clandestina. "Defender as fronteiras, deter os traficantes de seres humanos e garantir repatriações eficazes continuará a ser a linha deste Governo".

O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, disse também que "as imagens vindas de Ceuta demonstram como a decisão do governo de Madrid de conceder cidadania espanhola, e portanto europeia, a mais de 500 mil imigrantes indocumentados é profundamente equivocada e incentiva o tráfico de pessoas."

Esta reação dos italianos não foi bem acolhida pelo governo espanhol, com José Manuel Albares, ministro das Relações Exteriores da Espanha, a descrever a publicação de homólogo italiano nas redes sociais como "incompatível com a conduta do Ministro das Relações Exteriores de um parceiro e amigo de quem esperamos solidariedade europeia, não demagogia partidária".

Albares anunciou também que convocou o embaixador italiano em Espanha, para expressar o seu descontentamento com a situação.  

Mas de França também vieram críticas e preocupações. Michel Barnier, político conservador que atualmente é deputado na Assembleia Nacional, defendeu a deportação dos migrantes e garantiu que "França não pode suportar as consequências das políticas migratórias de seus vizinhos". "Se um Estado-membro toma decisões que criam um fator de atração para a imigração irregular, devemos ser capazes de proteger as nossas fronteiras imediatamente, particularmente com a Espanha."

Do lado de lá do Atlântico a administração Trump não deixou, igualmente, de comentar o assunto. "O presidente Trump há muito que alerta a Europa sobre o que aconteceria se continuassem a implementar políticas de extrema-esquerda e globalistas, incluindo aquelas que facilitam a migração em massa. Espanha e outros países que adotaram esta filosofia destrutiva devem mudar de rumo imediatamente ou correm o risco do seu próprio fim", disse um porta-voz da Casa Branca.  

Marrocos aliviou a segurança?

O jornal El Mundo cita fontes governamentais espanholas que atribuem este fluxo repentino de migrantes à disseminação, pelas redes sociais, da ideia de que qualquer pessoa que consiga nadar até a cidade espanhola não pode ser repatriada, em conformidade com a recente decisão do Supremo Tribunal que confirmou que as expulsões sumárias não podem ser aplicadas a quem for resgatado no mar. No entanto, as mesmas fontes admitem que este fluxo maciço de pessoas não teria sido possível sem a permissividade das autoridades marroquinas. 

Os controlos fronteiriços já estavam reduzidos, pelo facto de quinta-feira ser feriado em Marrocos, devido às celebrações do Dia do Trono, e de o Rei Mohammed VI estar de férias no Palácio de Rincón, a apenas 25 quilómetros de Ceuta. Mas especialistas espanhóis consideram que o facto de a fronteira ter ficado desguarnecida durante várias horas pode ter sido um ato deliberado.

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