Desmantelada rede de prostituição em Milão. Clientes eram jogadores de futebol da Série A, empresários e um piloto de F1
No centro da investigação está a empresa de organização de eventos “Ma.De.Milano” que servia de fachada para serviços de prostituição.
Jogadores de futebol, empresários, figuras públicas e um piloto de Fórmula 1 pagavam por serviços “tudo incluído” de uma rede de prostituição em Milão que começava em espaços noturnos e acabava em quartos de hotéis de luxo com gás do riso. No caso estão envolvidos cerca de setenta jogadores da Serie A italiana, incluindo do Inter Milan e do AC Milan, ou de clubes que vinham à cidade para jogos fora, assegura uma investigação do La Repubblica.
A rede gerida por um casal, juntamente com dois colaboradores, agora todos em prisão domiciliária, foi desmantelada graças a uma denúncia por parte de uma funcionária que decidiu contactar as autoridades depois de um desentendimento com os proprietários. Segundo o jornal italiano La Repubblica, na manhã desta segunda-feira, após o pedido do ministério público aceite pela juíza de instrução Chiara Valori, a guarda das finanças executou quatro mandatos de prisão domiciliária para os suspeitos.
No centro da investigação está a empresa de organização de eventos “Ma.De.Milano” que servia de fachada para serviços de prostituição. Nos seus perfis das redes sociais a empresa colocava anúncios à procura de “novos colaboradores”, nomeadamente raparigas com “competências para relações públicas” em festas noturnas de luxo.
O método consistia em disponibilizar acompanhantes em espaços noturnos e organizar eventos “pós-festa” em hotéis de cinco estrelas. No pacote “tudo incluído” os clientes podiam consumir ainda gás do riso, ou óxido nitroso, “contido em balões, utilizado como substância psicoativa mas não detetável nos testes antidoping habituais e, por isso, utilizado pelos atletas profissionais”, pode ler-se no despacho.
Segundo o jornal desportivo italiano La Gazzetta dello Sport, as mulheres, cerca de dez no total, italianas e estrangeiras entre os 18 e os 30 anos, às quais cabia 50% dos lucros, teriam ficado alojadas em espaços pertencentes à sede da empresa na região de Cinisello Balsamo em Milão. Os serviços também eram oferecidos na ilha grega de Mykonos.
O número de clientes famosos envolvidos é significativo. No despacho da juiz de instrução de Milão, os nomes dos clientes, pelo menos 70, incluindo jogadores e outros desportistas, foram ocultados. E não só, numa das escutas incluídas no processo há referência a um piloto de Fórmula 1: “Tenho um amigo meu, piloto de Fórmula 1 que vem esta noite a Milão e quer uma rapariga”.
As acusações incluem exploração da prostituição assim como branqueamento de lucros da atividade que é considerada ilegal em Itália. Foram apreendidos também mais de 1.2 milhões de euros.