Da falta de oxigénio à desorientação: o que pode ter corrido mal no mergulho dos italianos nas Maldivas
Cinco pessoas morreram depois de descerem a mais de 50 metros de profundidade.
Ainda não foram encontrados todos os corpos dos mergulhadores italianos que estavam desaparecidos nas Maldivas, num total de cinco vítimas. O grupo encontrava-se a explorar cavernas subaquáticas no Atol de Vaavu, a uma profundidade de 60 metros, mas algo correu mal e nenhum deles conseguiu regressar a bordo do iate 'Duke of York', onde viajavam com outros 20 cidadãos italianos. Catorze mergulhadores das Maldivas estão nesta altura no local a tentar recuperar os corpos com recurso a equipamentos especiais, numa missão considerada altíssimo risco.
O instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, de 44 anos, cujo corpo foi o único a ser resgatado até ao momento, era o mais experiente do grupo e estava separado dos restantes quatro: Monica Montefalcone, investigadora e professora na Universidade de Génova, de 52 anos, a sua filha Giogia Sommacal, de 23, e os biólogos marinhos Muriel Oddenino e Federico Gualtieri, ambos de 31.
A notícia está a causar comoção em Itália, onde se especula sobre o que terá acontecido nas profundezas do Índico. Uma das hipóteses avançada prende-se com um possível problema na mistura respiratória utilizada nas garrafas de mergulho. A outra, mais plausível para os investigadores, está relacionada com um possível acidente.
Os mergulhadores não eram propriamente inexperientes, mas podem ter-se desorientado e perdido a capacidade de regressar à superfície. Esta possibilidade ganha mais força pelo facto de Benedetti ter sido resgatado com a garrafa de oxigénio vazia. Ele tinha consigo uma pequena garrafa de nitrox, usada nas fases de subida e descompressão, que não é adequada para profundidades abaixo dos 35 metros e que não foi utilizada. Isto significa que ele não iniciou a subida e que por algum motivo foi forçado a permanecer na caverna.
Já os restantes quatro, podem ter ficado presos noutra das grutas, eventualmente por perderem a visibilidade. Basta um movimento mais vigoroso com as barbatanas para levantar sedimentos e a água ficar opaca. Não se sabe também se o grupo tinha instalado uma corda de segurança, frequente neste tipo de mergulhos, para ajudar a encontrar a saída, nem se entraram nas cavernas para se abrigarem das correntes ou com a intenção de as explorar.
Será também preciso averiguar se o grupo tinha licenças para este tipo de mergulho. Foi ultrapassado o limite dos 30 metros de profundidade legais no país e podemos estar perante uma exploração não autorizada como atividade científica, sendo que todos estavam nas Maldivas com vistos de turistas.
Um porta-voz do governo das Maldivas recordou que as cavernas são tão profundas que "nem os mergulhadores com o melhor equipamento tentam lá ir". "Haverá uma investigação no sentido de perceber como foram além da profundidade permitida", garantiu.
O marido Monica Montefalcone, pai de Giogia Sommacal, não tem dúvidas de que "algo deve ter acontecido lá em baixo" até porque, explicou, a mulher era "uma das melhores mergulhadoras do mundo". "Ela nunca colocaria a vida da nossa filha em risco", assegurou Carlo Sommacal, em declarações ao jornal italiano La Repubblica. "Talvez um deles tinha tido problemas, talvez tenha acontecido algo com as garrafas de oxigénio... Não faço ideia."