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Congressistas democratas exigem investigação a “espionagem” pelo Departamento de Justiça

Lusa 13 de fevereiro de 2026 às 07:29

O congressista Jamie Raskin afirmou que o Departamento de Justiça não só reteve registos dos legisladores, "mas agora Bondi e a sua equipa estão a espiar membros do Congresso que exercem funções de fiscalização.

Congressistas democratas norte-americanos exigiram quinta-feira ao inspetor-geral do Departamento de Justiça que investigue o que consideram ser “espionagem” pelo governo das suas pesquisas do caso Epstein.
Pam Bondi testemunha sobre o caso Epstein numa audiência Foto AP/J. Scott Applewhite
Fotografias de uma acesa sessão da Comissão Judiciária da Câmara de Representantes na quarta-feira mostram a procuradora-geral Pam Bondi com uma pasta aberta numa página com o título "Histórico de Busca de Jayapal Pramila", listando uma série de documentos do caso Epstein que aparentemente foram revistos por esta congressista democrata.  Jayapal foi um dos membros da Comissão Judiciária que, esta semana, reviram num anexo e em computadores do Departamento de Justiça versões menos censuradas dos ficheiros sobre Jeffrey Epstein, criminoso sexual que durante décadas manteve uma relação próxima com Donald Trump, de quem Bondi é feroz defensora, tendo chegado a referir-se a este na audição como “o melhor Presidente da história dos Estados Unidos”. Em comunicado, o congressista Jamie Raskin afirmou que o Departamento de Justiça não só reteve registos dos legisladores, "mas agora Bondi e a sua equipa estão a espiar membros do Congresso que exercem funções de fiscalização, em mais uma tentativa flagrante de interferir nos processos de supervisão do Congresso". "O Departamento de Justiça deve cessar imediatamente o rastreio de quaisquer buscas feitas pelos membros do Congresso, abrir a altos funcionários do Congresso a investigação sobre Epstein e divulgar publicamente todos os ficheiros — com todas as informações das vítimas, e apenas as informações das vítimas, devidamente rasuradas — conforme exigido pela lei federal", adiantou o principal democrata na Comissão Judiciária da Câmara.
Rasurando de dados que pudessem permitir a identificação de vítimas de Epstein, muitas menores à altura dos factos, o Departamento de Justiça anunciou no mês passado a divulgação de mais de 3 milhões de páginas, além de mais de 2.000 vídeos e 180.000 imagens relacionadas com as investigações. 
Alguns dos congressistas que viram os documentos queixaram-se de que muitas informações sobre os parceiros de Epstein permanecem ocultas.  Jayapal, um dos membros da comissão que mais pressionaram Bondi durante a audição de quarta-feira sobre como o departamento lidou com os ficheiros de Epstein, classificou a alegada espionagem como "totalmente inaceitável" e afirmou que os legisladores "vão exigir uma prestação de contas completa" sobre a forma como o departamento está a utilizar o histórico de pesquisas. "Bondi tem tempo de sobra para espiar membros do Congresso, mas não consegue pedir desculpa às vítimas dos abusos horríveis de Epstein?", disse Jayapal no X. Durante a audiência de quarta-feira, Pramila Jayapal pediu às vítimas de Epstein sentadas na sala que levantassem a mão caso não tivessem reunido em nenhum momento com o Departamento de Justiça: todas levantaram a mão. O procurador-geral adjunto Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Donald Trump, defendeu que a administração Trump cumpriu a obrigação, imposta por uma lei aprovada em novembro pelo Congresso, de garantir total transparência sobre este assunto. Epstein morreu na prisão em agosto de 2019 antes do julgamento por exploração sexual, depois de uma primeira acusação na Florida ter resultado em 2008 num acordo extrajudicial em que admitiu crimes de solicitação de prostituição, incluindo de uma menor de idade, e aceitou uma pena de 18 meses de prisão, dos quais só cumpriu 13. A divulgação de documentos da investigação ao criminoso sexual, feita no início deste mês, reacendeu controvérsias que atingem figuras políticas, a realeza britânica e norueguesa e instituições internacionais, com impactos em França, Reino Unido, México e Rússia, envolvendo também Donald Trump. 
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