China em exercícios militares em torno de Taiwan
O Exército Popular da Libertação da China está a realizar "patrulhas de prontidão de combate" e exercícios no Estreitos de Taiwan e ao norte, sul e leste da ilha.
A China enviou dezenas de aviões para a linha mediana do Estreito de Taiwan poucas horas depois de anunciar três do presidente da ilha, Tsai Ing-wen, ter estado nos Estados Unidos e se ter encontrado com o Presidente da Câmara dos Representantes.
Tsai Ing-wen encontrou-se com Kevin McCarthy na passada quarta-feira contra as opiniões de Pequim, que reivindica Taiwan como uma província chinesa.
Na manhã de sábado, menos de 24 horas depois de Tsai Ing-wen ter regressado a Taiwan o Exército Popular da Libertação da China (PLA) começou a realizar "patrulhas de prontidão de combate" e exercícios no Estreitos de Taiwan e ao norte, sul e leste da ilha.
Estes exercícios estão focados em "testar a capacidade de obter controlo do mar, controlo aéreo e controlo de informações", avançaram os meios de comunicação estatais.
Poucas horas depois o Ministério da Defesa de Taiwan afirma que detetou 42 caças do Exército Popular de Libertação da China e oito navios de guerra na zona de identificação de defesa aérea da Taiwan, tendo até 29 aviões cruzado a fronteira.
Nos últimos anos o PLA tem enviado aviões e navios para a zona de identificação de defesa aérea de Taiwan quase diariamente, mas desde agosto do ano passado aumentou a frequência. Ainda assim, 29 aviões é um número superior à média registada.
O Ministério da Defesa de Taiwan afirmou que vai avaliar a situação com calma, racionalidade e uma atitude séria para evitar um escalar do conflito. "Nos últimos anos, o Partido Comunista Chinês continuou a enviar aeronaves e navios para assediar a região, ameaçando a situação regional. A China utilizou a visita do presidente Tsai aos EUA como desculpa para conduzir exercícios militares, prejudicando seriamente a paz, a estabilidade e segurança regional", avançou o ministério.
Também este sábado, o Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista da China, afirmou que tem "uma forte capacidade de impedir qualquer forma de secessão independente de Taiwan".
No mesmo artigo é avançado que "todas as contramedidas tomadas pelo governo chinês pertencem ao direito legítimo e legal da China de salvaguardar a soberania nacional e a integridade territorial".
Tsai Ing-wen rejeita as reivindicações de soberania feitas por Pequim e afirma que já se disponibilizou para negociações com a China. A China rejeita as negociações porque considera Tsai Ing-wen como um separatista.
O presidente da ilha considera que o território enfrenta "um expansionismo autoritário contínuo" e declarou que pretende continuar a "trabalhar com os Estados Unidos e outros países com ideias semelhantes para defender conjuntamente os valores da liberdade e da democracia".
Tsai Ing-wen tem marcada para este sábado uma reunião com uma delegação americana de legisladores, liderada por Michael McCaul, presidente do comité dos Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes.