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Cheias repentinas e fortes nevões causam pelo menos 12 mortos no Afeganistão

Lusa 02 de janeiro de 2026 às 07:10

Sem apoio internacional urgente, a combinação de migrações em grande escala, vulnerabilidades persistentes nos países vizinhos e uma grave escassez de financiamento pode aprofundar ainda mais a crise humanitária no Afeganistão, alerta a ACNUR.

Pelo menos 12 pessoas morreram e 11 ficaram feridas no Afeganistão devido a fortes nevões e cheias repentinas nos últimos três dias, que destruíram quase 300 casas em quase um terço das províncias do país.
Cheias e neve matam 12 pessoas no Afeganistão AP
"Doze cidadãos perderam a vida e outros 11 ficaram feridos", afirmou na quinta-feira um porta-voz da Autoridade Nacional de Gestão de Catástrofes do Afeganistão, em declarações divulgadas pela cadeia de televisão TOLO. O porta-voz informou ainda que "um total de 274 casas foram completamente destruídas e 1.558 parcialmente destruídas" nas províncias de Kapisa, Parwan, Daikondi, Uruzgan, Kandahar, Helmand, Badgis, Faryab, Badakhshan, Herat e Farah. As inundações também afectaram grandes áreas de terras agrícolas e pomares, bem como infra-estruturas públicas, incluindo oito mesquitas, 209 quilómetros de estradas, oito pontes e 27 empresas, de acordo com o portal de notícias Kabul Now. Além disso, a queda de neve em algumas províncias bloqueou as principais estradas e deixou viajantes isolados. Em 21 de dezembro, a agência das Nações Unidas para os Refugiados alertou para a enorme vulnerabilidade dos 2,8 milhões de afegãos que tiveram de regressar ao país da Ásia Central, pedindo 250 milhões de euros para financiar a assistência. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) disse que cerca de 2,8 milhões de refugiados afegãos tiveram de regressar ao seu país, provenientes do Paquistão e do Irão, este ano, solicitando cerca de 250 milhões de euros para prestar assistência de emergência, incluindo abrigo temporário, artigos de socorro essenciais e serviços de proteção para apoiar as famílias à sua chegada. Sem apoio internacional urgente, a combinação de migrações em grande escala, vulnerabilidades persistentes nos países vizinhos e uma grave escassez de financiamento pode aprofundar ainda mais a crise humanitária no Afeganistão, alerta a ACNUR. No caso do Paquistão, em abril entrou em vigor a segunda fase do chamado Plano de Repatriação para Estrangeiros Ilegais contra os afegãos sem documentos no país, e no Irão os repatriamentos aceleraram drasticamente a partir de março, com a implementação de um novo sistema de retorno que afetou mais de dois milhões de afegãos na república islâmica. Estes regressos em massa sobrecarregaram a capacidade de muitas províncias no Afeganistão e aumentaram o risco de novos deslocamentos internos dos repatriados, muitos dos quais tinham abandonado o país por medo de represálias do regime fundamentalista talibã, novamente no poder desde 2021. Cerca de seis milhões de refugiados afegãos, na sua maioria sem documentos, vivem atualmente no estrangeiro, a maioria no Irão e no Paquistão, de acordo com os números do Ministério dos Refugiados e Repatriação do Afeganistão, citados pela Europa Press.
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