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Caixão vai percorrer cinco cidades em seis dias: o que se sabe sobre o funeral de Ali Khamenei

Marta Rodrigues 03 de julho de 2026 às 18:09

Cerimónias fúnebres realizam-se quatro meses depois da morte do antigo líder supremo do Irão.

Quatro meses depois da sua morte, começam no sábado, dia 4, as celebrações fúnebres de Ali Khamenei, antigo líder supremo do Irão. O corpo do aiatola já chegou à Grande Mosalla, uma mesquita em Teerão, e estará em câmara ardente até segunda-feira, dia 6. Depois, o caixão vai percorrer várias cidades, até ser sepultado na quinta-feira, dia 9.  

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Os caixões de Ali Khamenei, ao centro na parte superior, e de membros da sua família são exibidos antes das cerimónias fúnebres
Foto: AP Photo/Vahid Salemi
Um retrato de Ali Khamenei está pendurado na Grande Mesquita Imam Khomeini Mosalla
Foto: AP Photo/Vahid Salemi

Previsto para março, mas adiado devido à guerra, espera-se que o funeral seja o maior da história do Irão. O complexo religioso entretanto já está coberto de bandeiras do país, bandeiras negras como sinal de luto e retratos de Khamenei.  

Por cima do caixão, observa-se um turbante preto - símbolo usado pelos clérigos que acreditam ter descendência do profeta Maomé - sobre um lenço que simboliza os ideais revolucionários. Ao lado do caixão, encontram-se outros de familiares que também morreram a 28 de fevereiro, nomeadamente uma das filhas, um genro, uma nora e uma neta. 

Antes das cerimónias oficiais, decorrerá esta sexta-feira, dia 3, um evento privado para representantes iranianos e líderes internacionais. Está confirmada a presença de figuras do Paquistão, Arménia, Tajiquistão, Geórgia, Turquia, Índia, China, Rússia, Afeganistão e Bangladesh.  

O cortejo fúnebre vai percorrer as ruas de Teerão na segunda-feira, ao longo de 12 quilómetros. Na terça-feira, chegará à cidade sagrada de Qom. Passará ainda por Najaf e Kerbala - os grandes centros xiitas do Iraque - e só na quinta-feira, dia 9, será sepultado, em Mashhad – perto da sepultura do Imã Reza - uma figura importante no Irão.  

Ainda não está confirmada a presença do filho e sucessor de Khamenei, Mujtaba Khamenei. Ferido nos mesmos ataques que mataram o pai, o atual líder não tem aparecido publicamente.  

Teerão parou em função do funeral. O aeroporto foi parcialmente encerrado e, na segunda-feira, estará fechado totalmente, bem como centros comerciais e empresas. Um vasto perímetro da cidade entretanto já está interdito por carro e há uma grande presença policial nas ruas. 

O funeral ocorre numa fase de elevada tensão, num contexto de frágil cessar-fogo entre EUA e Irão. O acordo provisório alcançado em junho criou um prazo de 60 dias para negociar os termos de um acordo de paz para pôr fim à guerra no Irão.  

Ali Khamenei foi o líder supremo que mais tempo governou o Irão desde a fundação da República Islâmica, em 1979, durante quase quatro décadas. Morreu a 28 de fevereiro, aos 86 anos, na sequência do ataque dos Estados Unidos e de Israel. 

Quando o líder supremo antecessor a Khamenei, Ruhollah Khomeini, morreu, em 1989, milhões de iranianos saíram às ruas para a despedida. Geraram-se confrontos, dos quais resultaram oito mortos e 11 feridos. Há uma preocupação de que a situação se possa repetir no funeral de Khamenei. 

Com Luana Augusto

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