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Analistas dizem que míssil russo Oreshnik lançado contra a Ucrânia visa intimidar o Ocidente

Lusa 09 de janeiro de 2026 às 13:56

Aconteceu esta sexta-feira, perto da fronteira com a Polónia.

O lançamento pela Rússia de um míssil balístico Oreshnik sem ogiva nuclear contra a Ucrânia, perto da fronteira com a Polónia, é interpretado por analistas como manobra estratégica de comunicação destinada a intimidar os aliados de Kiev.
Rússia entregou os corpos de 12 mil soldados ucranianos mortos em combate. AP
Especialistas ouvidos pela agência noticiosa francesa France-Presse consideram que a decisão de utilizar um míssil balístico de alcance intermédio, cujas capacidades técnicas permanecem incertas, visa sobretudo enviar uma mensagem política ao Ocidente, explorando o simbolismo associado à ameaça nuclear. O investigador Cyrille Bret, do Institut Montaigne, considera que o Presidente russo, Vladimir Putin, está a comunicar diretamente com o Ocidente, sublinhando que os mesmos efeitos militares poderiam ter sido alcançados sem recurso a este tipo de armamento. O general australiano reformado Mick Ryan classificou o Oreshnik como uma "arma psicológica" inserida numa estratégia de guerra cognitiva, considerando o lançamento "lógico" após semanas difíceis para a Rússia no plano internacional, incluindo a captura do aliado Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e a apreensão de um petroleiro ligado a Moscovo no Atlântico Norte. A escolha do alvo, na região de Lviv, no oeste da Ucrânia, foi também destacada pelos especialistas como significativa, por se tratar de uma zona mais próxima das fronteiras da União Europeia do que ataques anteriores. Para Etienne Marcuz, da Fundação para a Investigação Estratégica, trata-se de uma mensagem dirigida sobretudo aos países europeus, tendo em conta que o Oreshnik, com um alcance inferior a 5.500 quilómetros, representa uma ameaça principalmente para o continente europeu. Os analistas sublinham ainda que o lançamento surge num momento em que os europeus reforçam as suas defesas aéreas, incluindo com a aquisição do sistema Arrow 3 pela Alemanha, embora a eventual utilização de múltiplas ogivas possa dificultar a interceção. A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, reagiu afirmando que a utilização do míssil constitui "uma clara escalada" e um aviso dirigido à Europa e aos Estados Unidos. O lançamento ocorre num contexto de contactos entre europeus e norte-americanos para discutir garantias de segurança à Ucrânia após um eventual cessar-fogo, incluindo no âmbito da chamada Coligação dos Dispostos, liderada por França e Reino Unido. Segundo Cyrille Bret, a mensagem enviada por Putin ao Presidente dos EUA, Donald Trump, com o Oreshnik, deve ser lida como uma resposta à reafirmação das esferas de influência, numa lógica em que cada potência intervém dentro do espaço que considera estratégico.
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