Notícia

Mundo

"A Diada". Mais de um milhão nas ruas pela "República" da Catalunha

11.09.2018 17:24 por A.R.M. e Lusa
Os movimentos separatistas catalães comemoram, esta terça-feira, o Dia da Catalunha ("A Diada") com uma manifestação histórica em Barcelona de apoio à independência da região. Juntou-se ao protesto cerca de um milhão de pessoas - mais do dobro dos cerca de 440 mil inicialmente inscritos
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Os movimentos separatistas catalães comemoram, esta terça-feira, o Dia da Catalunha ("A Diada") com uma manifestação histórica em Barcelona de apoio à independência da região e de condenação do que chamam a "repressão" do Estado central.

De acordo com as autoridades locais, citadas pela agência AFP, juntou-se ao protesto cerca de um milhão de pessoas - mais do dobro dos cerca de 440 mil inicialmente inscritos e indicados pela organização, que classifica esta manifestação como o "ponto de partida" para uma série de outras mobilizações.


O tema deste ano é a causa da independência, cujo processo foi interrompido em 27 de Outubro de 2017, quando o Governo central espanhol decidiu intervir na Comunidade Autónoma na sequência da realização de um referendo de autodeterminação organizado pelo executivo regional independentista em 1 de Outubro do mesmo ano e que foi considerado ilegal.

Esta "A Diada" está a ser criticada pelo governo espanhol. "Infelizmente converteu-se num dia de reivindicação independentista, que exclui uma parte muito importante, a metade mais ou menos, da população" da Catalunha, disse no sábado o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Josep Borrel. As forças apoiantes da unidade de Espanha disseram que o dia está a ser aproveitado, "mais uma vez", pelos independentistas, e que deixou de ser um dia festivo de todos os catalães.

Entre as frases mais usadas pelos manifestantes está "som república" ("somos república") e acusações de Madrid ser "controlado por fascistas", criticando os
nove dirigentes separatistas presos à espera de julgamento por delitos de rebelião, sedição e/ou peculato pelo seu envolvimento na tentativa falhada em 2017 de separar a Catalunha da Espanha.Os independentistas consideram que os detidos em prisões espanholas pelo seu envolvimento na tentativa de autodeterminação da Catalunha são "presos políticos".

Os independentistas reclamam há muito tempo um referendo regional sobre a independência da Catalunha, em moldes semelhantes aos que foram realizados no Quebec (Canadá) ou na Escócia (Reino Unido). O conflito entre Madrid e a região mais rica de Espanha, com cerca de 7,5 milhões de habitantes, uma dimensão de um terço da área de Portugal, uma língua e culturas próprias, arrasta-se há várias décadas. A Constituição de Espanha apenas permite uma consulta eleitoral que ponha em causa a unidade do país se esta for realizada a nível nacional.

pub
O principal líder independentista, o ex-presidente da Generalitat Carles Puigdemont, vive exilado na Bélgica, depois de a Justiça espanhola não ter conseguido a sua extradição da Alemanha, para ser julgado por crime de rebelião. As eleições regionais, que se realizaram a 21 de Dezembro, voltaram a ser ganhas pelos partidos separatistas.

Bloco de Esquerda no Dia da Catalunha em solidariedade com o povo da região

O Bloco de Esquerda está a participar esta terça-feira em várias iniciativas na cidade de Barcelona, relacionadas com o Dia da Catalunha. A deputada bloquista Isabel Pires sublinha que a celebração deste dia tem, nesta altura, uma importância particular. "Houve a repressão que todos vimos" após o referendo de 1 de outubro de 2017, que foi seguido de "prisões, exílios e de um processo político que ainda está em curso", recorda a deputada.

"Neste momento, achamos que é importante reforçar a solidariedade (com o povo da Catalunha) de uma maneira mais ativa, por isso é que escolhemos estar presentes", justifica Isabel Pires

A deputada considera que é preciso combater aquilo que diz ser a repressão do governo espanhol e alimenta a esperança de que o mandato de Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol, seja menos repressivo do que era Mariano Rajoy. "Aparentemente existe uma abertura por parte do novo Governo espanhol para ter uma posição diferente da do Partido Popular (PP) e de Rajoy na questão catalã", explica a deputada.

pub
"Temos esperança que, de facto, possa existir uma abertura para, pelo menos, retirar todo o cariz mais repressivo, que existiu de uma maneira muito forte por parte do PP e que possa terminar essa fase, para se entrar numa outra onde possa existir abertura para diálogo", espera Isabel Pires.

O BE vai estar presente, na terça-feira, em várias iniciativas do Dia da Catalunha, em Barcelona, considerando "imperativo inverter o caminho de escalada de vias autoritárias para lidar com opiniões distintas do regime".

Para o Dia da Catalunha ("A Diada"), a primeira depois do referendo de 01 de outubro do ano passado, os movimentos separatistas catalães querem reunir um milhão de pessoas em Barcelona para mostrarem que o objetivo de independência desta região espanhola está mais vivo do que nunca.

À agência Lusa, a deputada Isabel Pires, que irá representar o BE nas iniciativas, sublinhou que o partido continua "a condenar a repressão do Estado espanhol às nacionalidades que existem no seu território", sendo "imperativo inverter o caminho de escalada de vias autoritárias para lidar com oposições ou opiniões distintas do regime".

"A saída do PP do Governo só pode ter esse caminho", defendeu, sublinhando que o BE tem "tido uma posição muito clara de solidariedade para com os presos políticos e para com o movimento de autodeterminação da Catalunha, que teve um momento importante a 01 de outubro do ano passado, com um escalar da violência do estado espanhol", que os bloquistas condenam.

pub
Na terça-feira, Isabel Pires visita ainda o Parlament e a Generalitat, tendo encontro também marcado com a ERC (Esquerra Republicana Catalana) e CUP (Candidaturas de Unidad Popular).

Hoje ao final da tarde, a deputada bloquista participa já num ato público de solidariedade com Anna Gabriel, uma das deputadas da CUP exilado na Suíça, em Vilanova i la Geltru.

O BE tem mantido contactos com vários partidos e movimentos catalães, pretendendo com esta visita tornar a "solidariedade mais ativa".


pub
pub