Uma série para ver esta semana: "House of Cards"
Com Kevin Spacey e Robin Wright no centro do poder, a adaptação norte-americana da série britânica, disponível na Netflix, tornou-se um marco da televisão em streaming.
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Edição de 12 a 18 de maio
Uma série para ver esta semana: 'House of Cards'
Quando estreou, em 2013, House of Cards parecia mais do que uma série, era uma declaração de intenções. Adaptada da minissérie britânica homónima e desenvolvida por Beau Willimon, a produção acompanhava Frank Underwood (Kevin Spacey) congressista democrata de Washington que, depois de ser preterido para o cargo de secretário de Estado, inicia uma escalada de manipulação, chantagem e violência para chegar ao topo do poder. A seu lado estava Claire Underwood, mulher, cúmplice e adversária, interpretada por Robin Wright.
O elenco era liderado por Spacey e Wright, mas incluía também Kate Mara, Mahershala Ali, Molly Parker, Neve Campbell e Constance Zimmer, entre outros. Conhecida pelo tom frio, cínico e teatral, pelas quebras da quarta parede de Frank Underwood e por uma visão da política norte-americana como tabuleiro de ambição, House of Cards foi um ponto de viragem na ficção televisiva.
A série foi uma das primeiras grandes apostas originais da Netflix e ajudou a provar que o streaming podia competir com os canais tradicionais na produção de séries de prestígio. Em 2013, tornou-se a primeira série online a receber nomeações importantes aos prémios Emmy, incluindo Melhor Série Dramática, abrindo caminho à transformação da plataforma norte-americana numa força dominante da televisão global.
A trajetória da série, porém, ficou marcada pela queda de Kevin Spacey. Em 2017, depois de acusações de má conduta sexual, a produção da sexta temporada foi suspensa e o ator acabou afastado da série. A Netflix cortou relações com Spacey e a última temporada foi reescrita sem Frank Underwood, passando o protagonismo para Claire (Robin Wright).
Entre prémios, polémica e legado industrial, House of Cards permanece como uma série definidora da década de 2010 não apenas pelo retrato sombrio do poder, mas por ter antecipado a era em que as plataformas deixaram de distribuir televisão para passar a disputar o seu centro.