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Mais etiqueta na música: chegam os selos para a Inteligência Artificial

Coligação de organizações da indústria musical, que inclui os Grammys, propõe um modelo voluntário de rotulagem para gravações criadas com recurso a Inteligência Artificial (IA).

Renata Lima Lobo 12 de julho de 2026 às 20:30
AI-Generated e AI-Assisted DR

A indústria musical é fértil em tipos de selos ou etiquetas que informam o público sobre certas características de uma obra. Um dos mais conhecidos é o Parental Advisory, que alerta para conteúdos não indicados para crianças e jovens. Mas há outros, mais corriqueiros, digamos assim, mais relacionados com formato ou qualidade, do Remastered (remasterizado) ao Live (gravado ao vivo). Mas há uma proposta para acrescentar um membro novo à família das etiquetas musicais: AI-Generated (Gerado por IA) e AI-Assisted (Assistido por IA).

A ideia parte de uma coligação de importantes organizações da indústria musical que, , anunciou um modelo de rotulagem para gravações sonoras criadas com recurso a IA generativa. Mas a adesão é voluntária.

O objetivo passa por fornecer ao público informações mais claras sobre a atual utilização de IA na indústria, distinguindo se as gravações foram totalmente criadas com IA ou se apenas se serviram da tecnologia como suporte ao desenvolvimento.

Numa declaração conjunta, Vikki Oakley, CEO da IFPI (International Federation of the Phonographic Industry), e Mitch Glazier, presidente e CEO da RIAA (Recording Industry Association of America) acreditam que "os fãs querem saber se e de que forma a IA generativa foi utilizada na música que ouvem". "Tendo em conta a importância da criatividade humana e da autenticidade para os amantes da música em todo o mundo, estas etiquetas proporcionarão uma abordagem de transparência imediatamente compreensível e facilmente escalável", explicam, ressalvando que esperam "fornecer aos fãs informações adicionais à medida que a adoção da rotulagem relacionada com IA Generativa aumenta e a tecnologia evolui".

Também citado, Harvey Mason jr., CEO dos Grammys, defende que “à medida que a IA continua a ser integrada no processo criativo, artistas e fãs merecem uma forma clara de comunicar como e quando está a ser utilizada" e sublinha que "esta iniciativa garante que a criatividade, a autoria e a intenção artística permanecem no centro de cada canção.”

Além dos fãs merecerem "saber quando a música que ouvem é gerada ou assistida por IA", por outro lado "os intérpretes merecem um mercado que reconheça, valorize e proteja a criatividade humana", escreve Duncan Crabtree-Ireland, diretor executivo Nacional SAG-AFTRA, o principal sindicato dos profissionais dos meios de comunicação e entretenimento dos Estados Unidos.

Em abril, divulga o comunicado, o serviço de streaming musical Deezer revelou que as faixas geradas por IA representavam 44% de toda a nova música enviada para a sua plataforma. Por sua vez, a Apple Music afirmou que mais de um terço das faixas carregadas na plataforma são “100% IA”. As organizações envolvidas nesta proposta dizem que irão "colaborar com plataformas de música digital, distribuidores, agregadores e organismos de normalização para implementar o sistema em toda a indústria".

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