O elenco principal é composto por José Condessa, Helena Caldeira, Rodrigo Tomás e André LeitãoNetflix
É ao som de Stand By Me, de Ben E. King, que vemos os quatro "rapexinhos" reunidos novamente nos primeiros minutos da terceira e última temporada de Rabo de Peixe. O nome carinhoso é inspirado na designação coloquial "rapexim", dada aos naturais da vila de Rabo de Peixe, e ficou associada ao elenco principal da série, composto por José Condessa, André Leitão, Helena Caldeira e Rodrigo Tomás, que se despedem agora das suas personagens.
"Foram três anos, quase quatro. Estava longe de imaginar que o caminho ia ser tão bonito como foi", diz José Condessa, numa conferência de imprensa, esta quinta-feira. "Para nós [elenco] é difícil. Hoje o ciclo fecha, vou para casa e preciso de fazer o luto. Fomos muito felizes", acrescenta o ator, visivelmente emocionado.
A terceira temporada de Rabo de Peixe estreia esta sexta-feira, 10 de abril, na Netflix, e não é esperado que venha a existir continuação ou spin-offs, garante Augusto Fraga, o criador da produção portuguesa. "A minha proposta foi sempre acabar a série na terceira temporada. Não vão existir spin-offs, tanto quanto sei", diz, em conversa com a SÁBADO.
Sobre as gravações dos últimos episódios, André Leitão e Helena Caldeira revelam que a última cena foi um momento particularmente emotivo. Para os quatro elementos do elenco principal, o que irá deixar mais saudades são "as pessoas" e a amizade que desenvolveram entre si e com os locais de Rabo de Peixe. "Houve pessoas de Rabo de Peixe que confiaram em nós antes da série ser um sucesso", diz José Condessa. O ator Rodrigo Tomás dá o exemplo do cantor Sandro G, natural de Rabo de Peixe, mas também recorda os "miúdos" da vila piscatória, que fica na Ilha de São Miguel, nos Açores, no concelho da Ribeira Grande. "Só nos resta ter saudade. Ainda bem que temos esta palavra na nossa língua," brinca José Condessa.
A série é uma produção da Ukbar Filmes e da RB Filmes para a Netflix e foi criada por Augusto Fraga, Hugo Gonçalves e Tiago R. Santos. A primeira temporada foi lançada em maio de 2023, somou 31,5 milhões de horas de visualização em todo o mundo e chegou a estar no top 10 de séries da Netflix (não faladas em inglês) mais vistas a nível internacional.
Para criar Rabo de Peixe, Augusto Fraga inspirou-se num evento real - um naufrágio, em 2001, de um barco com meia tonelada de cocaína na localidade de São Migue que deixou marcas profundas na vida da população local. A versão ficcional acompanha as peripécias de quatro amigos, que escondem vários quilos de cocaína, com o objetivo de vender a droga e de melhorar as suas vidas. "Para mim são seis ou sete anos, comecei a escrever a série na pandemia e o balanço é muito positivo. Trabalhei com pessoas de um nível altíssimo, que me ajudaram a melhorar a forma de pensar as histórias", recorda Augusto Fraga. O criador de Rabo de Peixe acredita que a série "ganhou um espaço que não estava ocupado ainda por ninguém" e refere ainda que "é um grande orgulho para as pessoas da vila".
Sobre o impacto na região, afirma que a produção deu a conhecer "não só a história de Rabo de Peixe, mas também pormenores da cultura açoriana que antes eram desconhecidos". Ainda assim, relembra: "É uma metáfora, uma visão pessoal de uma pequena aldeia que representa as realidades dos sítios desfavorecidos e esquecidos". Em 2025, a Netflix também lançou o documentário Maré Alta: A Surreal História de Rabo de Peixe, focado nos acontecimentos reais, e em 2023, a autarquia de Ribeira Grande lançou um roteiro com a identificação dos locais das filmagens da série ficcional.
"Há um aumento do turismo e uma maior venda de casas em Rabo de Peixe. As pessoas enviam-nos fotografias de sítios onde filmámos", diz José Condessa. "Antes disto existia um estigma, mas aquelas pessoas não são só o que aconteceu [em 2001]", assinala André Leitão.
A terceira temporada estreia esta 6ª, 10 de abril, na NetflixNetflix
Nesta última temporada, regressam os atores José Condessa, Helena Caldeira, Rodrigo Tomás e André Leitão nos papéis principais, mas também Maria João Bastos, Salvador Martinha, Afonso Pimentel, Kelly Bailey e Victória Guerra. A este elenco juntam-se agora os atores Ângelo Rodrigues e Inês Castel-Branco.
Na sinopse, partilhada pela Netflix, pode ler-se: "(...) após três anos na prisão, Eduardo (José Condessa) regressa a Rabo de Peixe, uma localidade abalada por interesses económicos e políticos que ameaçam expulsar as famílias, acabar com a pesca e mudar a ilha para sempre. Unidos por uma amizade indestrutível, os quatro decidem criar a 'Justiça da Noite', um movimento clandestino e justiceiro enraizado na comunidade, que opera nas sombras para devolver o poder àqueles que foram silenciados durante demasiado tempo".
Se por um lado os primeiros minutos da última temporada podem aparentar uma certa sensação de calmaria, pouco tempo depois a narrativa recupera o fôlego, a agitação e a emoção a que a série nos habitou nos últimos três anos. "As personagens começam a série a pensar que não há nenhum propósito para a vida delas, mas nesta temporada há um orgulho de fazer algo que acreditam que é certo", conclui o ator Rodrigo Tomás.