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Israel pagou para influenciar televoto na Eurovisão desde 2018, revela investigação do The New York Times

Apesar de não haver uma regra que proíba a promoção de um artista por parte do seu governo, a independência é um pilar fundamental do festival.

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Israel pagou para influenciar televoto na Eurovisão desde 2018, revela investigação do The New York Times
Gabriela Ângelo 13 de maio de 2026 às 09:51
Israel utilizou verbas para influenciar televoto na Eurovisão desde 2018
Israel utilizou verbas para influenciar televoto na Eurovisão desde 2018 AP

Durante o outono e o inverno do ano passado altos diplomatas israelitas entraram em contacto com responsáveis e emissoras de televisão por toda a Europa para abordar o tema da Eurovisão. Algumas destas emissoras queriam excluir Israel e boicotar o concurso devido ao conflito na Faixa de Gaza. 

Esta pressão diplomática para manter Israel na Eurovisão foi apenas uma das polémicas que se desenrolaram ao longo do último ano ligadas ao evento, que conta com mais de 166 milhões de espetadores por todo o mundo. O festival corre ainda o risco de perder mais de 600 mil dólares, cerca de 500 mil euros, em direitos de transmissão, tanto pela exclusão de Israel como pela saída das emissoras que se opõem à sua participação. 

Uma investigação do jornal norte-americano revelou uma campanha orquestrada pelo governo israelita para alcançar mais votos do público, inclusive em países onde a opinião pública sobre Israel era negativa. No total, o governo de Benjamin Netanyahu terá gasto cerca de um milhão de dólares, cerca de 850 mil euros, em marketing, apesar de a Eurovisão ser um concurso destinado a emissoras públicas e aos artistas, não dependendo da intervenção de governos. 

Campanha desde 2018

Apesar de não haver uma regra que proíba a promoção de um artista por parte do seu governo, a independência é um pilar fundamental da Eurovisão. Segundo a publicação, que cita o antigo compositor israelita Doron Medalie, o governo israelita tem vindo a promover discretamente os seus representantes pelo menos desde 2018. Nesse ano, injetou mais de 100 mil dólares, cerca de 85 mil euros, em promoção nas redes sociais, acabando por vencer a competição. 

Mas foi em 2024, poucos meses depois do início do conflito na Faixa de Gaza, que o gabinete de Benjamin Netanyahu aumentou as despesas, com gastos que chegaram aos 800 mil dólares, cerca de 680 mil euros, segundo a mesma investigação. A representante de Israel, Eden Golan, ficou em segundo lugar no voto popular. Nesse ano a opinião pública europeia opôs-se à guerra e alguns grupos e indivíduos na indústria da música pediram que Israel fosse excluído da competição. 

“Votem 20 vezes”

No ano passado na Suíça, Israel ficou em segundo lugar na classificação geral e venceu o voto popular, conquistando inclusive, segundo o The New York Times, a preferência de países cuja opinião pública não apoiava as políticas de Israel.

A emissora finlandesa revelou ainda que o governo israelita tinha adquirido anúncios online em várias línguas, apelando às pessoas para que votassem na concorrente Yuval Raphael até 20 vezes, o máximo estipulado na altura. Até Benjamin Netanyahu chegou a fazer uma publicação nas redes sociais a encorajar as pessoas a fazê-lo.

Mudança das regras

Depois de várias tentativas falhadas de arranjar uma votação para decidir o futuro de Israel na competição, resultante de queixas sobre as suas campanhas de financiamento, em dezembro a União Europeia de Radiodifusão e as respetivas emissoras nacionais reuniram-se em Genebra. Foi organizada uma votação para decidir se cada telespectador deveria ser limitado a 10 votos e se isto poderia “desencorajar campanhas de promoção desproporcionais”. 

Contudo, terá sido imposta uma regra inesperada, se os membros aprovassem as alterações, estariam a concordar em manter Israel na Eurovisão. As novas regras para limitar o número de votos por SMS, telefone ou online, de 20 para 10, foram aprovadas, e Israel manteve-se na competição.

Depois da votação cinco emissoras decidiram boicotar o evento. Na edição deste ano, que começou esta terça-feira, dia 12 de maio, a Islândia, Espanha, Eslovénia, Irlanda e os Países Baixos, não vão entrar nem divulgar o concurso, em protesto. Entretanto, Israel conseguiu apurar-se para a final. 

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