Carlos Moedas homenageia Jorge Palma... citando canção de Sérgio Godinho. Mas insiste que não se enganou
Numa publicação na rede social X, o presidente da CML parece ter confundido o autor da canção "Primeiro Dia". Autarca, porém, garante que não se enganou.
Carlos Moedas, presidente da Câmara de LisboaTiago Petinga / Lusa - EPA
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, homenageou Jorge Palma (1950-2026) citando uma canção do seu frequente colaborador, Sérgio Godinho.
Na rede social X, o autarca fez uma publicação que faz referência a nomes de canções de Palma: "Hoje, Lisboa acordou mais silenciosa e com o coração mais frágil", escreveu, em referência a Frágil, uma das suas mais conhecidas canções.
No entanto, numa aparente confusão, prosseguiu citando uma canção que não é de Palma: "Nascido em Lisboa, Jorge Palma conhecia o pulsar desta cidade como ninguém. Dedicou-lhe acordes, madrugadas e uma honestidade desarmante que nos ensinou a rir dos dias errados e abraçar o recomeço em cada Primeiro Dia", referindo-se ao sucesso escrito por Sérgio Godinho e lançado no disco pano-cru, de 1978. "Lisboa chora hoje um dos seus filhos mais brilhantes", cuja música "permanece connosco, tatuada na alma de Portugal", acrescentou Moedas.
Moedas lamenta partida de Jorge Palma e cita Sérgio GodinhoX
Uma pesquisa pelo nome do artista e da canção associa, de facto, Jorge Palma a O Primeiro Dia: Palma e Godinho fizeram vários espetáculos em conjunto nos anos 2010, que resultaram no disco "Juntos – Ao Vivo no Theatro Circo", em que consta O Primeiro Dia. É exatamente neste ponto que se escudou Moedas para garantir que não se enganou, mediante o coro de críticas nas redes sociais à referência a uma canção que não é de Palma – apesar de não haver escassez de temas icónicos do compositor para citar.
"Sei bem que o Primeiro Dia nasceu da escrita genial do seu eterno companheiro Sérgio Godinho. Mas quem acompanhou a vida e obra de Jorge Palma sabe que o Primeiro Dia foi também um território de partilha inesquecível entre os dois", alegou Moedas. "No histórico projeto “Juntos” e nos palcos que dividiram pelo país, o Jorge deu voz e corpo a este tema. Usar esta expressão na nossa despedida não é um engano: é evocar a enorme cumplicidade que os unia e assinalar que hoje, no primeiro dia da sua ausência física, o legado de Jorge Palma começa a desenhar o resto da nossa vida cultural".