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Morreu o realizador João Canijo

O cineasta tinha 68 anos.

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Morreu o realizador João Canijo
Diogo Barreto 29 de janeiro de 2026 às 22:35
João Canijo
João Canijo GettyImages

O cineasta português João Canijo morreu esta quinta-feira. Realizador de filmes como Fátima, Sangue do Meu Sangue ou Mal Viver tinha 68 anos. A notícia foi avançada pelo  que escreve que o realizador foi encontrado morto esta quinta-feira, em sua casa, pela empregada doméstica. A CNN Portugal refere que o realizador terá sofrido um ataque cardíaco fulminante. O realizador morreu perto de Vila Viçosa, distrito de Évora, onde tinha uma casa.

Natural do Porto, realizou a série Alentejo Sem Lei na década de 90. Mais tarde dedicou-se quase inteiramente ao cinema, tendo granjeado grande sucesso crítico. Um dos realizadores mais importantes do cinema contemporâneo português, Canijo dedicou uma boa parte dos seus filmes ao sofrimento e emoções das suas personagens feminias. Tinha um leque de atrizes com as quais trabalhava de forma recorrente como Rita Blanco (a atriz mais "canijiana") e Anabela Moreira.  

Era um realizador exigente e que exigia aos seus atores um grande compromisso, mas que gostava de trabalhar os seus filmes com quem os ia protagonizar. Dava espaço às alterações e à improvisação quase tanto como ao rigor formal.

Trabalhou como assistente de realização de cineastas como Manoel de Oliveira, Wim Wenders, Alain Tanner e Werner Schroeter.

O cineasta tinha dois filmes em fase de pós-produção: Encenação (com Miguel Guilherme, Rita Blanco, Anabela Moreira e Beatriz Batarda, as suas atrizes de sempre) e As Ucranianas.

Em 2023, ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim com o filme , filme que faz parte do díptico Mal Viver/Viver Mal. Sobre esses dois filmes, Canijo disse à SÁBADO, em 2023: “O ponto de partida do primeiro filme foi criar a partir de Bergman e Strindberg. Pegámos em três peças e começámos a discuti-las”. Em Viver Mal a relação com o dramaturgo sueco é explícita: o filme está dividido em três secções que correspondem a peças: O Pelicano, Brincar Com o Fogo e Amor de Mãe. “O processo criativo foi simples: pegar nas peças e em conjunto com os atores discutir temas e personagens, adaptando de forma livre. Dessas conversas roubo o que acho interessante e chegamos a uma espécie de argumento improvisado”, diz o realizador.

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