O cineasta contará a história da banda através do olhar de cada músico dos "Fab Four". Os quatro filmes estreiam com uma semana de intervalo, em abril de 2028.
Hollywood passou os últimos anos a tentar aproximar as salas do ritmo do streaming. Agora, a Sony quer levar a lógica da maratona de regresso ao cinema: quatro filmes sobre os Beatles, quatro protagonistas e quatro estreias concentradas num único mês. A produtora Pippa Harris confirmou esta segunda-feira, 12 de outubro, que o projeto realizado por Sam Mendes deverá chegar aos ecrãs em abril de 2028, com uma semana de intervalo entre cada longa-metragem.
A estratégia permitirá ver um filme por semana, juntar dois no mesmo fim de semana ou construir uma maratona à medida da disponibilidade de cada espectador. As datas individuais e a ordem de lançamento ainda não foram divulgadas, tal como não existe, para já, confirmação específica para Portugal.
A intenção, explicou Harris durante o Festival de Cinema de Londres, é que os quatro títulos possam ser vistos nas salas durante o mesmo período, sem obrigar ninguém a vê-los todos no mesmo dia. Cada obra funcionará autonomamente, embora a produtora defenda que o conjunto terá “um poder cumulativo maior do que a soma das partes”, cita a publicação The Hollywood Reporter.
Intitulado The Beatles – A Four-Film Cinematic Event, o projeto contará a ascensão, a transformação e a separação da banda a partir de quatro perspetivas. Paul Mescal interpreta Paul McCartney, Harris Dickinson será John Lennon, Joseph Quinn assume o papel de George Harrison e Barry Keoghan dará corpo a Ringo Starr. Em vez de eleger uma figura central, Sam Mendes pretende mostrar como as versões individuais se cruzam, contradizem e completam dentro da mesma história.
A ideia nasceu da dificuldade em comprimir a dimensão dos Beatles num filme biográfico convencional. Mendes, realizador de Beleza Americana, Skyfall e 1917, considerou que a história era demasiado extensa para um único filme, mas também não funcionaria como série televisiva. A solução foi criar aquilo que a Sony apresentou como a primeira “experiência cinematográfica compulsiva”: quatro obras interligadas que exigem outras tantas deslocações às salas. “Precisamos de grandes acontecimentos cinematográficos para tirar as pessoas de casa”, afirmou o realizador quando revelou o elenco na conferência CinemaCon de 2025.
É também a primeira vez que Paul McCartney, Ringo Starr e as famílias de John Lennon e George Harrison concedem os direitos integrais das histórias pessoais e da música do grupo a uma produção de ficção. Os argumentos estão entregues a Jez Butterworth, Peter Straughan e Jack Thorne, autores com trabalho no cinema, na televisão e no teatro, embora ainda não seja conhecido o modo como dividiram os quatro filmes.
O elenco inclui ainda Saoirse Ronan como Linda McCartney, Anna Sawai como Yoko Ono, Aimee Lou Wood como Pattie Boyd, Mia McKenna-Bruce como Maureen Starkey, Morfydd Clark como Cynthia Lennon, James Norton como o empresário Brian Epstein e Harry Lloyd como o produtor George Martin. A escolha das personagens sugere que a narrativa não ficará limitada ao palco e ao estúdio, abrindo espaço para as relações pessoais, as tensões internas e as pessoas que acompanharam a banda durante a década em que mudou a música popular.
As filmagens já ultrapassaram os 180 dias e deverão continuar, segundo a produção. Em agosto, os quatro atores foram vistos a recriar a capa de Abbey Road na célebre passadeira londrina, dando uma primeira imagem pública da transformação.