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CEO da OpenAI e Elon Musk atacam-se mutuamente devido à ideia de levar centros de dados para o espaço

Tiago Neto 24 de fevereiro de 2026 às 18:06

Declarações de Sam Altman, cocriador do ChatGPT, reacendem rivalidade com Elon Musk, que aposta numa rede orbital de computação através da SpaceX e da xAI.

“Sinceramente, acho que, no cenário atual, a ideia de colocar centros de dados no espaço é ridícula.” Foi desta forma que Sam Altman reagiu, na passada sexta-feira, dia 20, aos planos defendidos por Elon Musk para transferir infraestruturas críticas de computação para a órbita terrestre. As declarações foram feitas durante a Cimeira sobre o Impacto da Inteligência Artificial 2026, em Nova Deli, Índia, e colocam em confronto duas visões sobre o futuro da infraestrutura digital que sustenta a Inteligência Artificial (IA).
EPA/FRANCK ROBICHON
Altman, cofundador e CEO da OpenAI, admitiu que centros de dados espaciais poderão “fazer sentido um dia”, mas sublinhou que os custos de lançamento, manutenção e substituição de componentes – em particular dos chips especializados – continuam a ser entraves tecnológicos e económicos significativos. “Ainda não estamos lá”, afirmou, acrescentando que soluções orbitais dificilmente terão escala relevante ao longo desta década. A posição surge apesar de o próprio ter reconhecido, em 2025, que a crescente procura computacional poderá levar a um mundo “coberto por centros de dados”, cenário que alimenta o debate sobre novas localizações para estas infraestruturas intensivas em energia. Do lado oposto, Elon Musk tem vindo a transformar essa hipótese num eixo estratégico. A SpaceX está a atualizar a constelação Starlink para evoluir de rede de comunicações para uma plataforma de computação distribuída em nuvem, capaz de suportar processamento de dados em órbita terrestre baixa. A ambição foi reiterada internamente na xAI, empresa de inteligência artificial do cofundador e CEO da Tesla, onde a integração tecnológica com a SpaceX é vista como forma de acelerar a criação dessa infraestrutura.
A corrida não se limita ao universo Musk. Também a Google apresentou, no final de 2025, o Project Suncatcher, igualmente orientado para centros de dados orbitais alimentados por energia solar. Sundar Pichai, CEO da tecnológica americana, indicou que os primeiros lançamentos experimentais poderão ocorrer já em 2027, sinalizando que as grandes empresas de tecnologia procuram alternativas à pressão energética e ambiental exercida pelos atuais megacentros de processamento em terra. Essas infraestruturas são essenciais para sustentar modelos de linguagem de grande escala e outras aplicações avançadas de IA, mas implicam consumos massivos de eletricidade e água, além de impactos ambientais e urbanísticos que têm gerado crescente contestação local. A hipótese espacial surge, para alguns, como solução energética; para outros, como um desvio caro e tecnicamente prematuro. A troca de críticas entre Altman e Musk insere-se, contudo, numa relação marcada por tensão crescente. Ambos colaboraram na fundação da OpenAI (da qual faz parte o ChatGPT) em 2015, mas divergências estratégicas levaram ao afastamento de Musk poucos anos depois. Desde então, as discordâncias transformaram-se em confrontos públicos, processos judiciais e acusações mútuas sobre o rumo comercial, a governação e a segurança da inteligência artificial. Nos últimos anos, Musk tem criticado repetidamente a OpenAI por se ter afastado da missão original de investigação aberta, enquanto Altman tem defendido o modelo híbrido da organização como necessário para financiar o desenvolvimento tecnológico. A discussão sobre centros de dados no espaço é apenas o episódio mais recente de uma rivalidade que combina visões concorrentes de negócio, engenharia e até de futuro civilizacional da IA.
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