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Brasil e Argentina prepararam moeda única sul-americana

Débora Calheiros Lourenço 23 de janeiro de 2023 às 17:01

Lula da Silva reúne-se com Alberto Fernández esta segunda-feira em Buenos Aires e terça-feira os dois líderes vão participar na cimeira da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos.

Brasil e Argentina pretendem criar uma moeda sul-americana comum, este é o objetivo mais ambicioso da aliança estratégica que os dois presidentes pretendem relançar durante a visita de Lula da Silva a Buenos Aires.

REUTERS/Adriano Machado

Numa nota publicada nositeda presidência argentina é referido que os dois presidentes decidiram "avançar nas discussões sobre uma moeda sul-americana comum que possa ser usada tanto para os fluxos financeiros quanto para os comerciais, reduzindo custos operacionais e a vulnerabilidade externa". O documento refere ainda que o objetivo é "simplificar e modernizar" para ultrapassar as barreiras nas trocas comerciais.

O ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, confirmou aoFinancial Timesque as negociações estão a decorrer mas frisou que este é "o primeiro passo de um longo caminho". Adiantando que apesar de se tratar de uma iniciativa bilateral, o acordo vai posteriormente ser oferecido a outros países sul-americanos.

Lula da Silva chegou a Buenos Aires no domingo, naquela que é a primeira viagem do presidente desde a tomada de posse, e esta segunda-feira vai reunir-se com Alberto Fernández. Na terça-feira os dois líderes vão participar na cimeira da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

Lula da Silva e Alberto Fernández têm uma longa relação e o presidente argentino foi até visitar o homólogo brasileiro quando este estava preso e durante a presidência de Jair Bolsonaro as relações diplomáticas entre os dois países estiveram praticamente congeladas.

Esta não é a primeira vez que a possibilidade da criação de uma moeda única é ponderada. No entanto, essa possibilidade é mais atrativa para a Argentina, que neste momento se encontra sem acesso a crédito nos mercados internacionais, com poucas reservas no Banco Central e com uma inflação anual de cerca de 95%, do que para o Brasil. Atualmente um euro é equivalente a 5,65 reais brasileiros e a 200,10 pesos argentinos. O Brasil é o principal parceiro económico da Argentina e o comércio bilateral entre os dois estados aumentou mais de 20% em 2022.

É também esperado que os dois líderes assinem acordos sobre cooperação sobre soberania energética, defesa, saúde, ciência, tecnologia e inovação.

Durante a sua campanha eleitoral Lula da Silva prometeu relançar o Brasil na diplomacia internacional. Assim as suas primeira medidas incluem a reentrada do Brasil para a CELAC e do restabelecimento das relações diplomáticas com a Venezuela, que tinham sido rompidas por Jair Bolsonaro.

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