"Espero morrer num campo de futebol, mas daqui a muitos anos"

Pedro Ponte 14 de junho de 2020

Pedro Martins começou a jogar no clube da terra, o Feirense, onde o pai era dirigente, e passou por Vit. Guimarães, Sporting ou Boavista. Fez-se treinador com José Couceiro e hoje está perto de se tornar campeão da Grécia no Olympiacos, mas ainda ambiciona chegar à Liga inglesa

Andava na escola por obrigação e abdicou de trabalhar nas empresas do pai para se dedicar ao futebol. Depois de uma longa carreira nos relvados, abraçou o papel de treinador mas teve de começar por baixo, a treinar em pelados por não haver luz natural e até a ajudar jogadores em situações difíceis na equipa do Sindicato. Na véspera do recomeço do campeonato grego, a 6 de junho, conversou quase 3 horas com a SÁBADO ao telefone de Atenas: falou sobre os carregamentos de comida que a família lhe envia e confessou que, apesar de já perceber algumas palavras em grego, mantém-se fiel ao... palavrão português.

Como é que passou os dias de confinamento por causa da Covid-19?
Aproveitei para ler alguns livros e ver televisão, mas também para trabalhar no meu treino e avaliar outras coisas ligadas à minha área. Observei também outras equipas para analisar alguns aspetos mais táticos, mas isso já fazia antes. E também tentei reeducar-me em termos de alimentação, mas... não foi muito fácil!

Está a gostar desta aventura no Olympiacos?
Sim, muito. Sou um otimista por natureza, mas não imaginava que fosse tão positivo como está a ser. Há uma identificação clara com o clube e com as pessoas que nele trabalham. O Olympiacos tem uma dimensão tremenda e condições de topo. Há, também, grande respeito e consideração por parte dos adeptos, que me dão muito carinho. Construímos este plantel em 2018 com muitos jogadores jovens e tem sido um prazer. A evolução tem sido fantástica e há uma comunhão de sentimentos muito peculiar. A equipa tinha três jogadores gregos quando cheguei mas agora tem mais. Conseguimos ir buscar dois ou três que já tinham estado no clube e conheciam a mística. E depois temos um conjunto de jogadores portugueses e franceses que se identificaram muito bem com as nossas ideias.

Acabou por não conseguir ser campeão, mas agora renovou e está perto do título (tem 17 pontos de vantagem para o 2º).
Paulo Bento fez 66 pontos e foi campeão. Nós fizemos 75 e não fomos. A verdade é que, nos últimos anos, o Olympiacos vinha a perder algum terreno para a concorrência e nós invertemos esse sentido.

A vida na Grécia é boa?
Bem, tenho a companhia da minha mulher. Os filhos estão em Portugal mas vêm cá sempre que podem. A verdade é que há muitas semelhanças com Portugal, principalmente na gastronomia. As paisagens são fantásticas e a tranquilidade do mar é completamente diferente. As pessoas são quentes, apaixonadas e mais emotivas do que nós. E gosto muito do facto de ser respeitado por todos, até pelos adeptos adversários. Nunca tive problemas!



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