O corpo que gere o futebol europeu entrou com uma ação judicial em Nova Iorque, procurando intimações para recolher informação sobre o plano da FIFA para privatizar o Campeonato do Mundo de futebol.
A UEFA interpôs uma ação judicial num tribunal de Nova Iorque relativa ao plano da FIFA para abrir o Campeonato do Mundo ao capital privado. Segundo a Bloomberg, o corpo que gere o futebol europeu quer recolher informações sobre o plano liderado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Tribunal confirma abuso de posição dominante da UEFA e FIFA no travão à SuperligaGabriel Marquez / Lusa-EPA
Esta informação poderá ser utilizada num possível processo criminal na Suíça contra o líder da FIFA. O processo procura obter intimações para recolher informação sobre a Thrive Capital, uma das principais empresas ligadas a este plano, e sobre o seu fundador, Joshua Kushner.
Segundo o Financial Times, a UEFA afirma mesmo, na ação judicial, que está a preparar-se "para apresentar queixas criminais na Suíça contra Infantino e, possivelmente, outros dirigentes e consultores da FIFA por má gestão com características criminais".
Na ação judicial, a UEFA alega que Infantino defendeu que o plano iria "soltar o potencial comercial e as oportunidades que a FIFA tem". Mas, segundo o processo, tratar-se-ia, na realidade, de um veículo para que o líder da FIFA e uma pequena esfera de investidores em torno do plano adquirissem uma participação permanente nos ativos mais valiosos da FIFA e lucrassem com eles, em prejuízo do próprio organismo, dos seus membros e de outras partes do mundo do futebol.
A FIFA revelou, no mês passado, um plano para angariar até 4,2 mil milhões de dólares (cerca de 3,6 mil milhões de euros) junto de investidores privados, abrindo pela primeira vez o organismo a capital externo. A proposta previa a criação de uma nova entidade, avaliada em 20 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros), para albergar os direitos comerciais e de media.
Depois de críticas e pressão da UEFA e de outros setores do futebol, que incluíram ameaças de boicote a futuros torneios da FIFA, Infantino recuou no plano.
Joshua Kushner, CEO da Thrive Capital, é irmão de Jared Kushner, genro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Thrive, destaque-se, era a principal candidata a investir no plano para o Mundial de futebol. Trump, por sua vez, é próximo de Infantino, tendo defendido o presidente da FIFA na chuva de críticas que se seguiram ao anúncio do plano multimilionário.
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