A Coreia do Norte é um dos países mais pobres do mundo mas tem uma espécie de 'tropa de elite' de piratas infomáticos que financiam o regime com os seus roubos. A última vítima foi a Binance.
A maior plataforma de negociação de criptomoedas do mundo foi alvo do maior ataque informático de sempre no setor, tendo sido roubados 6,3 mil milhões de dólares (cerca de 5,6 mil milhões de euros) de ativos. O ataque à Binance foi atribuído a um grupo de piratas informáticos da Coreia do Norte, um dos países mais pobres do mundo e onde o acesso à internet é altamente restrito.
Binance foi alvo de um ataque informáticoAP
1O que aconteceu?
A Binance anunciou na noite de quinta-feira que foi vítima de um ataque cibernético, um problema cada vez mais comum no mundo das criptomoedas. Mas, com o passar das horas, ficou claro que não se tratava de um simples incidente, mas sim do pior ataque da história dos ativos digitais. Os atacantes, provavelmente ligados à Coreia do Norte, conseguiram levar aproximadamente 6,3 mil milhões de dólares em ativos da plataforma, quatro vezes mais do que o que tinha sido roubado à Bybit no ano passado.
2Como aconteceu?
A empresa revelou que houve uma violação de segurança com um computador pertencente a um de seus engenheiros, embora mais tarde tenha admitido outros "pontos de entrada" por parte dos piratas informáticos. Mas a TRM Labs, empresa de inteligência especializada na deteção, investigação e prevenção de crimes financeiros, fraudes e atividades ilícitas com criptoativos,explicou que os invasores entraram nos sistemas da Binance através do computador do funcionário, o que lhes permitiu autorizar e assinar múltiplas transações que 'limparam' várias carteiras de criptomoedas.
Depois, os fundos foram transferidos por diversas redes, usando protocolos descentralizados para converter ativos suscetíveis a congelamento em outros tokens com maior privacidade, de modo a impedir que fossem rastreados. Toda a operação aconteceu no espaço de 20 minutos.
Para evitar mais saídas, a Binance suspendeu temporariamente todas as operações, incluindo resgates dos clientes, enquanto leva a cabo uma inspeção de segurança interna.
3Quem são os hackers?
Duas grandes empresas de análise garantem, segundo a BBC, ter informações sólidas de que o provável culpado por este ataque é um grupo apoiado pelo Estado da Coreia do Norte.
O grupo Lazarus, uma unidade de hackers norte-coreana também conhecida como TraderTraitor, foi identificado "com alta confiança" pela TRM Labs, assim como pela Chainalysis. Este incidente é apenas o mais recente ligado ao país, um dos mais pobres do mundo e onde o acesso à internet é altamente restrito.
Especialistas acusam o governo do líder norte-coreano Kim Jong Un de se financiar através de crimes cibernéticos, o que o governo de Pyongyang negou perentoriamente.
4Seleção de cérebros
O FBI já acusou a Coreia do Norte de levar a cabo "crimes cibernéticos ilícitos e atividades de roubo de ativos virtuais". Consta que o país desenvolveu sistematicamente as suas operações cibernéticas recrutando os estudantes mais promissores das universidades e encaminhando-os para grupos de hackers supervisionados pela agência de inteligência da Coreia do Norte.
5A Binance fica em maus lençóis?
Embora este tenha sido o maior roubo de criptomoedas conhecido até o momento, a verdade é que o valor desviado é ínfimo relativamente ao tamanho da Binance. De acordo com dados da empresa de análise DefiLlama, a plataforma controla aproximadamente 137 mil milhões de dólares em ativos.
6Quem cobre os prejuízos?
A Binance já garantiu que vai cobrir as perdas causadas pelo ataque com seus próprios recursos e com seu fundo SAFU, uma espécie de fundo de garantia de depósitos criado em 2018 para proteger os ativos dos clientes em casos extremos, como violações de segurança ou ataques cibernéticos.
No entanto, o fundo por si só não será suficiente para cobrir o desfalque deste golpe, uma vez que está avaliado em 'apenas' 1,2 mil milhões de dólares. "Vamos superar essa tempestade", assegurou um porta-voz da empresa.
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