Netanyahu ganhou as eleições, mas sem maioria. O que pode acontecer a seguir?
Os próximos dias são muito importantes para os dois principais candidatos tentarem formar uma maioria parlamentar uma vez, se não o conseguirem, o país pode ir novamente a eleições.
- 1Eisenkot consegue o apoio dos partidos árabes
- 2Governo com Netanyahu e Eisenkot
- 3Mudanças de lado
- 4Novas eleições
Os resultados das eleições israelitas foram revelados esta sexta-feira e esclareceram a composição do próximo parlamento do país, no entanto continua sem estar claro quem será o primeiro-ministro uma vez que Netanyahu ganhou as eleições mas perdeu a maioria.
Os líderes partidários vão agora realizar negociações para conseguirem formar uma coligação com pelo menos 61 deputados de forma a que a governação seja possível. Neste momento não é fácil de dizer qual dos dois principais candidatos - Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot - terá mais facilidade em cumprir esse desafio, especialmente tendo em conta que os partidos árabes conseguiram uma votação histórica e podem desempenhar um papel decisivo nas contas.
Qualquer possível nova coligação teria de ser baseada em concessões que podem desagradar o eleitorado e aumentar a contestação social.
Saiba os cenários mais prováveis
1Eisenkot consegue o apoio dos partidos árabes
Em teoria a solução mais simples seria Eisenkot unir forças com os partidos liderados por árabes, uma coligação que conseguiria 67 lugares no Knesset. Mesmo que não se juntem à coligação, se apoiarem o governo minoritário Eisenkot conseguiria governar.
No entanto esta aproximação pode ser politicamente arriscada para Eisenkot e os seus outros aliados judeus.
Os cidadãos árabes em Israel representam 20% da população e são maioritariamente palestinianos cujas famílias permaneceram em Israel depois da guerra de 1948, que se seguiu à criação do Estado. Os partidos árabes mantêm laços estreitos com os palestinianos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, e muitas vezes apoiam a sua causa. Na história de Israel, apenas um partido árabe fez parte de uma coligação governamental – em 2021 – e esse governo durou apenas 18 meses.
Netanyahu já afirmou que qualquer aliança com os partidos árabes é uma traição à identidade judaica de Israel e uma ameaça à segurança nacional, aumentando a pressão sobre os aliados de Eisenkot para rejeitarem qualquer tipo de acordo.
2Governo com Netanyahu e Eisenkot
Netanyahu pode tentar convencer Eisenkot e os seus aliados de direita a se apoiarem-no.
Com essa configuração política Netanyahu poderia conseguir uma maioria de 67 lugares e os partidos árabes, assim como os ultranacionalistas e ultraortodoxos ficariam na oposição.
Esse governo poderia negociar questões urgentes como a isenção do serviço militar para os ultraortodoxos, no entanto essa configuração significaria que muitas das promessas eleitorais teriam de ser postas de lado.
Eisenkot e os seus aliados prometeram não faz parte de um governo de Netanyahu depois de o culparem pelas falhas de segurança que possibilitaram o ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023 e acusaram-no de minar as instituições democráticas ao adiar o seu julgamento por corrupção.
É improvável que um governo liderado pela atual primeiro-ministro aprove uma investigação oficial sobre o ataque de 7 de outubro, uma exigência central dos eleitores da oposição.
Este acordo também exigiria que Netanyahu abandonasse os seus aliados de extrema-direita e ultraortodoxos que o apoiaram várias vezes depois do 7 de outubro.
3Mudanças de lado
É bastante provável que Netanyahu esteja à procura de líderes no bloque da oposição que possam mudar de lado. Alguns dos que são mais prováveis de se poder aliar a Netanyahu politicamente são Naftali Bennett ou Avigdor Lieberman uma vez que ambos apoiam políticas nacionalistas, como a expansão de colonatos na Cisjordânia e se opõem a uma parceria com os partidos árabes.
No entanto têm entrado em conflito com Netanyahu por questões pessoais e há anos que afirmam que não pretendem aliar-se ao primeiro-ministro. Além disso são contra as isenções militares, uma exigência crucial dos aliados ultraortodoxos de Netanyahu.
4Novas eleições
Caso não seja possível alcançar uma maioria parlamentar o país pode caminhar para novas eleições, que provavelmente ocorreriam no início do próximo ano. Até lá o governo de Netanyahu permaneceria em funções.
Em 2019 um impasse semelhante ao que é vivido atualmente levou a que se realizassem cinco eleições em três anos e meio.