Capacidade de recriar jogos sem ter de pagar por eles colocou as maiores empresas em alerta pelos possíveis efeitos económicos.
As empresas de videojogos começaram esta semana a temer o impacto económico da inteligência artificial - em vez de o celebrar. A inteligência artificial (IA) está a virar a indústria dos videojogos de pernas para o ar mais rápido do que se esperava, já que a semana passada começaram a surgir centenas de projetos nas redes sociais em que jogadores combinavam grandes títulos num único jogo. Jogavam Super Mário 64 no mundo de Elden Ring. Tony Hawk's Pro Skater no cenário de GTA IV. Marvel's Spider-Man na cidade-asilo de Batman: Arkham Asylum. Tudo isto possibilitado pelo Claude Opus 5.5, software lançado pela Anthropic no final de setembro e que consegue perceber como uma equipa de engenheiros desenvolveu as mecânicas de um jogo e as suas infraestruturas e juntar tudo num novo código para poder ser jogado num computador. E é por isso que foi possível ver exclusivos da Nintendo serem jogados com exclusivos da PlayStation, ou jogos de computador a misturar-se com exclusivos da Xbox.
Consolas PlayStation 5 em exposição numa lojaErik Verduzco / AP
Isto fez com que a Sony - que tem a sua própria empresa de inteligência artificial e até afirmava que era a ferramenta que iria ajudar os seus criadores e não substitui-los - entrasse numa luta pelos direitos de autor e propriedade intelectual para acabar com os emuladores de PlayStation5 nos computadores. É de lembrar que em poucas semanas estará no mercado Grand Theft Auto VI, um dos videojogos mais aguardados de sempre, que se prevê que faça centenas de milhões de euros em receita nas consolas primeiro, já que não existe uma data para o lançamento do jogo para computador. Mas se for possível emular o jogo logo de início pode haver uma quebra significativa das vendas do mesmo, o que pode pôr em risco as receitas da Sony e da Microsoft (que desenvolveram a PlayStation e a XBox) e também da Rockstar (que produziu o jogo).
Estes jogos conjuntos dificilmente se tornarão públicos, já que seriam automaticamente retirados do ar pelas grandes empresas de desenvolvimento de videojogos por direitos autorais mal fossem disponibilizados online (o mesmo que acontece com muitos catálogos de filmes e músicas), mas haverá cada vez mais jogadores que irão, certamente, deixar de comprar os jogos das empresas e usar esta nova forma de pirataria para evitar gastar dinheiro em jogos. E isto põe em risco a indústria dos videojogos, indústria avaliada em centenas de milhares de milhões de euros.
Porque apesar de haver há anos emuladores de plataformas antigas (como o GameBoy, a Nintendo 64 ou as primeiras PlayStation) e as empresas nunca ligaram muito porque estavam mais interessadas em vender a novidade, tratando os sistemas antigos como uma questão de nostalgia que por vezes alimentava as receitas (com remakes e relançamentos de jogos e plataformas antigas), o problema é que agora nem as novas consolas estão a salvo.
E a Sony está particularmente preocupada já que tem lidado com bastantes críticas por parte dos jogadores, visto que algumas das decisões que tem tomado (como acabar com os jogos físicos) tem granjeado descontentamento. A empresa informou ainda que os jogos digitais são "licenciados" e não "vendidos", o que quer dizer que quem compra jogos online não os "tem", mas "aluga". E é por isso que tantos comentários têm focado a Sony: "A Sony tem de se habituar a que não é dona de uma consola", escreveu um utilizador do Reddit.
Indústria dos videojogos ameaçada pela inteligência artificial. Perceba porquê
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