O ortopedista Luís Teixeira admite que a medida do Governo pode ajudar a solucionar o problema, mas reforça que a Ordem dos Médicos tem de ser incluída no processo.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, confirmou, na terça-feira, a concentração das urgências de ortopedia e traumatologia, começando por Lisboa e Vale do Tejo. O modelo pode depois ser alargado a outras regiões com falta de especialistas.
Ricardo Almeida/Cofina Media
No Parlamento a ministra anunciou que "não se trata de fechar as portas, trata-se de organizar melhor as portas que temos", defendeu Ana Paula Martins que acredita que esta é a forma de "garantir que quando uma pessoa precisa de uma urgência, é orientada, de acordo com o nível de complexidade e gravidade da sua situação, para a urgência certa".
Luís Teixeira, médico ortopedista, partilha com a SÁBADO que concorda com a proposta do Governo, mas reforça que "certamente nem todos os ortopedistas têm a mesma opinião". Para o especialista, "como está é que não pode continuar". "Aquilo que está a ser gasto em tarefeiros, que prestam uma qualidade de serviço muito duvidosa e um acompanhamento dos casos quase nulo, é que não pode ser."
A medida é apresentada como uma solução para garantir resposta aos doentes críticos, redistribuindo recursos humanos de forma rotativa entre hospitais. Após a criação de urgências regionais de ginecologia e obstetrícia - que foi capaz de diminuir o encerramento de urgências em 80%, segundo o executivo de Montenegro -, o Governo quer agora incluir outras especialidades neste modelo.
O ortopedista explica que até agora se privilegiou a proximidade dos cuidados de saúde uma vez que "praticamente todos os concelhos tinham um hospital com uma oferta muito alargada de cuidados de saúde, incluindo no Interior". No entanto relembra que este sistema foi criado numa altura em que "havia recursos humanos que permitiam dar uma resposta oficial", algo que considera já não corresponder à verdade.
"O mundo evoluiu e a saúde em Portugal também", afirma, antes de recordar que "o número de médicos no SNS diminuiu e começaram a existir as escalas fantasma", ou seja, escalas que dependem de tarefeiros e médicos internos. Luís Teixeira explica que estas escalas são "disfuncionais" porque como se recorre a tarefeiros, "dificulta a prestação de serviços de qualidade, e sobrecarrega os internos, que muitas vezes são metade das equipas de urgências mas ainda estão em fase de formação".
Para o especialista a decisão da ministra pode ter sido baseada em três problemas atuais: "A diminuição da quantidade de urgências fantasmas, rentabilização dos recursos – a saúde não pode ser um negócio, mas também tem de fazer contas – e a possibilidade de concentrar a qualidade e diferenciação técnica dos profissionais de saúde".
Apesar de apoiar a medida anunciada por Ana Paula Martins, Luís Teixeira reforça a necessidade de ser "elaborado um plano de mudança para a saúde" que deve contar com "o envolvimento da Ordem dos Médicos e, neste caso com a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia". Sem esquecer que "os hospitais privados também podem ter um papel importante neste modelo.
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