Empresa fundada por Sam Altman admitiu o incidente.
Não houve hackers escondidos em caves escuras nem código militar estrangeiro. A própria tecnologia de ponta da OpenAI, criadora do ChatGPT, ganhou vida própria e infiltrou-se em múltiplos sites governamentais dos Estados Unidos, causando interferências, segundo relata este sábado o New York Times.
Sam Altmanm, CEO da OpenAI, está preocupadoAP
A empresa fundada por Sam Altman admitiu o incidente e afirmou que está a investigar o caso. A OpenAI garante ter informado as autoridades governamentais, após detetar atividades pouco comuns nos sites oficiais do Departamento de Educação, do Departamento de Comércio e da Comissão de Valores Mobiliários.
Durante meses de testes de segurança que terão corrido mal, estes bots - desenhados para navegar na internet e tomar decisões sozinhos - agiram por conta própria. Contornaram bloqueios, exploraram falhas de segurança, copiaram e publicaram dados de forma não autorizada, chegando mesmo a aceder a bases de dados estatísticos através de portas às quais nunca deveriam ter sido acedido.
Esta notícia surge poucos dias depois de ter sido revelado que outro agente de IA da mesma empresa entrou sem autorização num portal do sistema público de saúde australiano no último mês de junho, obtendo indevidamente arquivos públicos e privados. As autoridades do país estão a investigar o ataque, do qual só tomaram conhecimento três meses após o sucedido.
Sam Altman publicou uma mensagem no 'X' dando conta de que a sua empresa está a investigar os incidentes, reconhecendo que outras organizações foram afetadas. "Não temos sido tão rápidos como gostaríamos, mas estamos a tentar equilibrar o nosso desejo de transparência com a necessidade de obter uma compreensão clara a partir de petabytes de registos de atividades dos agentes e de trabalhar com as organizações afetadas. (...) Seremos o mais transparentes possível, sujeitos a questões como vulnerabilidades noutras empresas que os nossos agentes tenham encontrado, cuja divulgação ou não será da responsabilidade das mesmas."
A questão da IA descontrolada está a gerar preocupação, sobretudo depois de nas últimas semanas terem surgido relatos de sistemas tecnológicos capazes de criar agentes ou bots que agem por conta própria. Vários líderes do setor da tecnologia já expressaram a sua preocupação relativamente aos perigos do desenvolvimento acelerado desses modelos, uma vez que eles podem atuar de forma autónoma e apresentar comportamentos indesejados, como entrar em sistemas de empresas e organizações governamentais para obter informações.
No entanto, Donald Trump mostra-se pouco favorável a um controlo apertado, defendendo uma "Inteligência Artificial" sem amarras. O presidente dos Estados Unidos acredita que "quem vencer a IA, vence o mundo", garantindo que o país vai continuar a desenvolver esta tecnologia, independentemente dos avisos dos especialistas.
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