A hipnose chegou aos hospitais

A hipnose chegou aos hospitais
Raquel Lito 07 de outubro de 2017

Um centro de pesquisa inédito altera estados de consciência pela meditação guiada e simula o túnel de quase morte.

À medida que percorre um túnel imaginário, Mário Simões cruza-se com os antepassados e visualiza os avós quando eram jovens. A luz branca desta passagem quase mística torna-se cada vez maior, ocupando todo o espaço de visão. Sente-se sereno, perde a noção do espaço e do tempo. Até que alguém conta até quatro: acorda e regressa ao estado inicial. Os papéis invertem-se: um dos maiores especialistas nacionais em hipnose clínica é induzido, numa sala, por um hipnoterapeuta.

A experiência-limite é a de quase morte, simulada em meia hora, tal e qual os relatos de quem passou por ela – e sobreviveu. O médico não ouviu músicas celestiais, como tantas vezes dizem. Mas o despertar é unânime. "Os efeitos são fantásticos. Há uma mudança de comportamento destas pessoas, tornam-se mais espirituais", explica à SÁBADO o psiquiatra de 67 anos, desde os 18 fascinado pela Parapsicologia científica. "Comecei a fazer isto há quase 10 anos, induzindo plateias de 100 pessoas. É possível em grandes grupos, já fiz com colegas médicos e em encontros de Psicologia Transpessoal."

A comunidade científica por vezes não o entendeu, mas Mário Simões (na imagem acima) distanciou-se sempre da hipnose de palco (a dos programas de entretenimento de efeitos duvidosos). "Nunca hostilizei os colegas. Aceitei as críticas sem ser militante." E aliou estas áreas de fronteira às suas consultas e congressos. Mas faltava dar o salto para a investigação científica: um think tank, credenciado, que disseminasse este campo, um laboratório onde a hipnose clínica, a meditação e a imaginação guiada estivessem inseridas nas pesquisas.

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