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Das chicotadas checas aos thrillers noruegueses: as tradições de Páscoa mais surpreendentes

Luana Augusto 03 de abril de 2026 às 08:35

Em Portugal abre-se a porta ao padre, oferecem-se os folares e assiste-se às procissões. Alguns países adotam até tradições semelhantes, mas outros preferem sair do padrão: é o caso da República Checa, da Noruega ou da Grécia.

Não são todas as pessoas que têm por hábito celebrar a Páscoa em Portugal, mas no calendário cristão esta é, sem dúvida, uma das datas mais importantes a assinalar. Um dos rituais mais diferenciados remonta até há mais de 500 anos: quando o sino toca, os aldeões já sabem que se aproxima uma espécie de procissão que acompanha o padre desde a Igreja à casa dos fiéis. Quem deixa a porta aberta deixa também a mesa repleta de petiscos para receber o sacerdote. O padre benze a casa em questão e os fiéis que por lá entram sem autorização beijam a cruz. A esta tradição soma-se, por exemplo, a troca de folares entre padrinhos e afilhados.

Ovos da Páscoa decorados Frank Hammerschmidt/picture-alliance/dpa/AP Images

Mas como serão as celebrações de Páscoa noutros países? Algumas são até parecidas às portuguesas e incluem procissões ou a caça aos ovos para as crianças, que hoje em dia já é praticada um pouco por todo o mundo. No entanto, há outras para as quais vale a pena olhar... nem que seja pelo seu estilo diferenciador.

Républica Checa: o chicote

Na segunda-feira de Páscoa, os homens dirigem-se às casas das mulheres com um pomlázka - um chicote feito à mão com ramos de salgueiro e decorado com fitas coloridas. A tradição inclui dar "batidas" suaves nas pernas das mulheres para garantir saúde, beleza e fertilidade no ano seguinte. É feito porta a porta. Como recompensa, as mulheres prendem mais fitas na pomlázka e oferecem ovos decorados, por norma vermelhos, que representam amor e fertilidade.

Em algumas regiões da República Checa adota-se ainda uma nova tradição: se a rapariga for chicoteada depois do meio-dia ela pode atirar com um balde de água fria.

Esta tradição é hoje vista como controversa por algumas pessoas.

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Na República Checa os homens batem nas raparigas com uma "pomlazka"
Foto: CTK via AP Images
Jovens em trajes folclóricos chicoteiam uma menina
Foto: CTK via AP Images
Meninos percorrem uam vila na segunda-feira de Páscoa
Foto: CTK via AP Images

Noruega: histórias de crime

Na Noruega, a Páscoa é sinónimo de histórias de crime e mistério. Durante esta semana, os noruegueses leem romances policiais, veem séries e filmes de crimes e ouvem programas de rádio de mistério. Até as embalagens de leite e chocolate podem trazer pequenas histórias de crime para resolver.

A tradição iniciou-se em 1923, quando dois escritores, Nordahl Grieg e Nils Lie, decidiram promover um policial, e acabou por se encaixar bem no estilo de vida dos noruegueses. Isto porque muitos por esta altura vão para as montanhas.

Suécia e Finlândia: Halloween 2.0

Na Suécia e Finlândia, as crianças vestem-se de bruxas, como se fosse Halloween, e vão de porta em porta pedir doces. Esta tradição acontece baseada na crença de que as bruxas voavam nesta altura do ano e, por isso, em algumas regiões acendem-se fogueiras para as afastar.

Tradições de Páscoa: Meninas celebram a Páscoa na República Checa Heikki Saukkomaa/Lehtikuva via AP

América Latina: queima de Judas

Em países como México ou Brasil queimam-se os bonecos que representam Judas. O detalhe vai para a figura que o boneco representa: muitas vezes são caricaturas de políticos.

Também nesses países, e à semelhança do que acontece em algumas regiões de Portugal, o consumo de carne vermelha é evitado, sendo o bacalhau o prato principal no Domingo de Páscoa.

Queima de Judas no México Foto AP/Marco Ugarte

Polónia: a bênção dos alimentos

No sábado, as famílias polacas levam cestas decoradas com flores e guardanapos brancos para a Igreja. A cesta inclui também ovos cozidos, salsichas, pão, manteiga e bolos, que no domingo são consumidos ao pequeno-almoço.

Homem leva cesta para ser abençoada numa igreja Foto AP/Czarek Sokolowski

Grécia: potes a voar

Na ilha grega de Corfu, no sábado de Páscoa é costume atirar "botides" - grandes potes de barro - pelas varandas. Muitas vezes são atirados cheios de água para provocar um estrondo ensurdecedor. A tradição ocorre às 11 horas, logo após o primeiro toque do sino, e simboliza a expulsão dos espíritos maus e a ressurreição. Ao mesmo tempo, representa a chegada da Primavera.

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Pessoas preparam-se para atirar enormes jarro de barro de uma varanda
Foto: Foto AP/Thanassis Stavrakis
Pessoas atiram um enorme jarro de barro de uma varanda
Foto: Foto AP/Thanassis Stavrakis

Hungria: a rega

Na segunda-feira de Páscoa, os homens visitam as mulheres e atiram-lhes com água, ou perfume em algumas localidades. Segundo a tradição, esta prática purifica e garante saúde e fertilidade. Também nesse dia é comum as pessoas vestirem trajes folclóricos.

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