
Mais de 8.600 enfermeiros pediram escusa de responsabilidade. Hospital Garcia de Orta lidera
Declaração serve para acautelar a eventual responsabilidade disciplinar, civil ou criminal dos enfermeiros face ao número de doentes a seu cargo.
Declaração serve para acautelar a eventual responsabilidade disciplinar, civil ou criminal dos enfermeiros face ao número de doentes a seu cargo.
"Em causa está a falta de condições mínimas para assegurar os cuidados adequados e as condições de segurança necessárias aos doentes" que recorrem a este serviço no Hospital Fernando Fonseca, indica a Ordem dos Enfermeiros.
Foram mais de sete mil pedidos em 2022, seis vezes mais do que no ano anterior, segundo a Ordem dos Enfermeiros. A SÁBADO recolheu o testemunho de um antigo enfermeiro do Hospital Garcia de Orta, em Almada - o segundo com maior número de pedidos a nível nacional.
Números quintuplicaram desde novembro de 2021. Ordem diz estar em causa "a degradação dos serviços" que se reflete na "qualidade e segurança dos cuidados prestados".
Ordem dos Enfermeiros recebeu mais de cinco mil pedidos de escusa de responsabilidade. No Hospital de Gaia, o serviço de obstetrícia tem todos os enfermeiros neste regime.
A Ordem dos Enfermeiros sublinha que em causa está a "degradação dos serviços", sobretudo devido à falta de enfermeiros.
O Governo tem duas hipóteses: ou mete a cabeça na areia, ou vem, de uma vez por todas, ouvir e valorizar os enfermeiros. Já ninguém aceita o jogo do faz de conta. Passaram seis anos, com dois anos de pandemia pelo meio. Os portugueses conhecem hoje, melhor do que nunca, o dia-a-dia daqueles que estão ao seu lado nos momentos de maior fragilidade.
A declaração de escusa de responsabilidade serve para acautelar a eventual responsabilidade disciplinar, civil ou criminal dos enfermeiros face ao número de doentes a seu cargo
"Nos últimos seis meses, começámos a ter pedidos de escusa de responsabilidade e relatos de situações de insuficiência de serviços", relata responsável da Ordem dos Médicos.
Ministério da Saúde afirma que "tem estado a acompanhar a situação" e "lamenta profundamente o falecimento do bebé".
Presidente da secção regional Sul da Ordem dos Médicos aponta que grávidas andam a "saltar de hospital em hospital".
Perante a falta de condições mínimas e escalas incompletas, 15 médicos obstetras do Santa Maria pediram escusa de responsabilidade.
Médicos do Hospital de Santa Maria e do Amadora -Sintra defendem que vão trabalhar abaixo das condições mínimas de segurança.