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"Foi o deputado Francisco Gomes que me avisou": Ventura diz que Parlamento não o informou sobre o assalto ao gabinete

Presidente do Chega em entrevista ao NOW.

O presidente do Chega, André Ventura, disse que "pode haver crime, fraude ou desvio", referindo-se à polémica que envolve o atual ministro da Administração Interna e ex-diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, na utilização de um atrelado da PJ numa obra pessoa, esta terça-feira, em entrevista ao NOW.

André Ventura em entrevista ao NOW
André Ventura em entrevista ao NOW NOW

Ventura insiste que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, deve questionar Luís Neves e que este deve ser afastado do Governo. "Se não se tomarem decisões, a degradação será total", afirmou. "O primeiro ministro escudou-se da sua responsabilidade. É Montenegro quem lidera o Governo. É o primeiro ministro que devia chamar Luís Neves e questioná-lo", conclui.

O presidente do Chega acredita que existe "receio" de exigir a Luís Neves aquilo que é exigido a outros políticos e ilustra o argumento com o facto do ministro ter dito que não entregou declarações de rendimentos durante oito anos porque ninguém lhe pediu que o fizesse, situação que Ventura considera inaceitável.

Perante a não ação de Montenegro, Ventura considera que o Presidente da República, António José Seguro, deve agir e tem "todos os elementos para tomar uma decisão".

Questionado sobre o objetivo da Comissão Parlamentar de Inquérito anunciada pelo Chega, Ventura explica que o partido quer investigar o que Luís Neves fez enquanto esteve à frente da PJ, como a gestão patrimonial, por exemplo, e as cumplicidades de Luís Neves nos mandatos em que teve essa responsabilidade. "Hoje há elementos que mostram que Luís Neves deixou-se levar por cumplicidades políticas", afirmou André Ventura. Relativamente a quem será chamado a depor, Ventura declarou que "ainda não há uma lista", mas admite chamar António Costa, ex-primeiro ministro, e Francisca Van Dunem, ex-ministra da Justiça.

O assalto ao gabinete de André Ventura foi também tópico de conversa. Ventura explicou que não é estranho que a porta do gabinete estivesse aberta, uma vez que todas as portas na zona nobre estavam abertas e tem por hábito assim estar.

Ventura afastou todas as teorias de que fosse o próprio a provocar o assalto. "Se um dia eu levar um tiro, vão haver pessoas a dizer que fui eu que pedi", ironizou o lider político.

André Ventura aproveitou para criticar os responsáveis da Assembleia da República por não o terem avisado sobre o assalto ao gabinete. "Foi o deputado Francisco Gomes que me avisou", disse.

O líder do partido Chega recusou partilhar as suas suspeitas sobre a autoria do assalto, apesar de assumir que as tem. "Vou deixar que a investigação trabalhe", justificou. 

Recorde-se que o gabinete de André Ventura foi assaltado na manhã de terça-feira, 28 de julho, e que documentos relevantes sobre o atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, foram roubados.

Em atualização