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Acidente/Elevador: GPIAAF formalizou recomendações de segurança aceites por Carris e IMT

Na sequência do acidente do ascensor da Glória, em Lisboa.

O gabinete de investigação de acidentes com aeronaves e ferroviários fez quatro recomendações de segurança à Carris e duas ao Instituto da Mobilidade e Transportes (IMT), na sequência do acidente do ascensor da Glória, em Lisboa, que foram atendidas.

Cabo do Elevador da Glória cedeu no ponto de fixação
Cabo do Elevador da Glória cedeu no ponto de fixação DR

Segundo uma nota informativa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) sobre o andamento do processo de investigação ao acidente no ascensor da Glória, em 03 de setembro de 2025, com 16 mortos e duas dezenas de feridos, nacionais e estrangeiros, o relatório preliminar de 20 de outubro já apontava recomendações de segurança.

As seis recomendações, de acordo com o documento, a que a Lusa teve hoje acesso, foram formalmente emitidas pelo GPIAAF em 11 de novembro à Carris -- Companhia Carris de Ferro de Lisboa, para rever o seu sistema de controlo interno aos processos de "aquisição, receção e aplicação de componentes críticos para a segurança dos veículos".

A Carris, em resposta ao GPIAAF, informou ter desencadeado uma auditoria externa à manutenção do modo elétrico, o projeto de otimização e 'compliance' do Sistema de Gestão Integrado, e o projeto de categorização de materiais.

O organismo recomendou também que a empresa municipal procedesse a "uma revisão crítica do seu sistema de gestão da segurança" no seu modo elétrico (incluindo ascensores), avaliando "os riscos relevantes para a segurança da operação dos veículos, seus passageiros e terceiros, na exploração e na manutenção".

A empresa, referiu, adotou "medidas organizacionais, processuais e de auditoria, destinadas a reforçar o sistema de gestão da segurança, em particular no que respeita ao modo elétrico, incluindo ascensores, funiculares e elevador de Santa Justa".

Além do reforço de competências da Área de Segurança de Exploração (ASE), que integra a Comissão Técnica Independente criada pela Câmara de Lisboa, foi elaborado o manual de exploração do funicular da Graça, aprovado pelo IMT, encontrando-se em curso procedimento idêntico para o elevador de Santa Justa.

O GPIAAF recomendou ainda que a transportadora clarifique junto do prestador de serviços de manutenção dos ascensores as obrigações contratuais, com efetiva fiscalização e controlo da qualidade dos serviços prestados.

Além do reforço da sua estrutura interna de acompanhamento, a Carris firmou um acordo para revogação do contrato de manutenção dos ascensores e elevadores, concretizando a cessão da posição contratual com outra empresa, com "experiência e conhecimento técnico especializado das infraestruturas".

Finalmente, foi recomendado à Carris que "não reponha em funcionamento os ascensores que opera sem que a conceção do sistema de fixação do cabo de tração às cabinas e a eficácia dos sistemas de frenagem sejam sujeitos a uma reavaliação por parte de uma entidade idónea com comprovada experiência em funiculares".

A transportadora, informou o gabinete, desenvolveu iniciativas para garantir que a reposição em funcionamento de ascensores e demais equipamentos do modo elétrico seja "precedida de uma reavaliação técnica independente dos sistemas de tração, fixação dos cabos e frenagem".

O funicular da Graça, o primeiro equipamento reaberto à exploração, "foi sujeito a um conjunto alargado de verificações e ensaios especializados", pelo Instituto da Soldadura e Qualidade e por uma empresa espanhola, e o elevador de Santa Justa encontra-se em processo total de revisão, mas a sua estrutura possui "condições adequadas de conservação".

Perante as respostas da Carris, o GPIAAF considerou que as ações "estão alinhadas com o objetivo" das recomendações de segurança formuladas.

Nas recomendações ao IMT, o gabinete aconselhou haver um quadro legislativo ou regulamentar que garanta o enquadramento técnico e de supervisão de todos os funiculares, e que os carros elétricos sobre carris, históricos, modernizados ou modernos, fiquem "sujeitos ao cumprimento de regras e condições de segurança adequadas, seguindo as melhores práticas dos demais Estados-membros", com um nível de supervisão independente apropriado.

"O IMT rapidamente comunicou ao GPIAAF que aceitava ambas as recomendações, tendo promovido a sua consideração e integração no âmbito do projeto de diploma legal aplicável aos sistemas de metropolitanos e elétricos então em desenvolvimento", lê-se na nota.

O GPIAAP deveria concluir o relatório final ao acidente até 03 de setembro próximo, mas perante a complexidade das investigações e peritagens estimou agora que "possa ser publicado próximo do final do primeiro trimestre de 2027".

O relatório preliminar de outubro apontou falhas e omissões na manutenção do ascensor da Glória e a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.

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