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Ventura pode capitalizar a queda do candidato apoiado pelo PSD nas presidenciais

Gabriela Ângelo 19 de janeiro de 2026 às 20:17

Mesmo que objetivo não seja Belém, esta eleição pode ajudar o Chega a deixar de ser "partido de um homem só".

A primeira volta das eleições presidenciais foi marcada por surpresas. A passagem de António José Seguro e André Ventura para a segunda volta, que devido às sonsagens era especulada que fosse disputada com Cotrim e Gouveia e Melo ou Luís Marques Mendes. Este último, o candidato apoiado pelos partidos do Governo, PSD e CDS-PP, teve uma queda desastrosa, tendo conseguido captar pouco mais de 11% dos eleitores, apesar de ter chegado a liderar sondagens durante meses. 
Tiago Petinga/Lusa
À SÁBADO o politólogo José Adelino Maltez, em relação ao resultado de Marques Mendes explica que o candidato “sofreu os efeitos de já não ter uma imagem correspondente àquilo que o presente estado de espetáculo exige”, ao contrário de António José Seguro que fez “um discurso redondo, consensual, mudou [a comunicação] e teve êxito”.  Sobre a falta de apoio de Luís Montenegro a qualquer um dos candidatos, o especialista acredita que o primeiro-ministro “fez muito bem”. “Ele tem de salvaguardar o seu património, de ser o último a vencer as eleições legislativas e ter excelentes resultados nas autárquicas”, afirma, acrescentando que “cada eleição tem a sua legitimidade” e apesar de não ter a obrigação de apoiar alguém, “pode mandar alguns dos seus a apoiar”. 
Contudo, realça que André Ventura, atual líder do Chega, que iniciou o seu percurso político no PSD, tendo sido conselheiro nacional e candidato à autarquia de Loures pelo partido, “conhece muito bem o eleitor do PSD e vai tentar captar os eleitores”. No caso de captar o eleitorado do PSD e da Iniciativa Liberal (IL), “seria muito renhida a segunda volta” com Seguro.  Refletindo sobre os resultados, o politólogo acredita, acima de tudo, que “quem ganhou foi a democracia e tem de agradecer a André Ventura que há cerca de 20% de portugueses que até aqui estavam marginalizados e que foram integrados no sistema democrático”, afirmando que “produziu uma democracia inclusiva”.  Ainda sobre André Ventura, questionado sobre se Portugal poderá ver o líder do Chega num cargo político elevado nos próximos anos, fruto do rápido crescimento do partido, José Adelino Maltez acredita que pode chegar a primeiro-ministro, dando o exemplo de Giorgia Meloni na Itália. “O objetivo dele se calhar não é ser Presidente, é poder transformar o Chega no partido de um homem só no partido de uma equipa renovada e jovem, com melhores quadros e capacidade discursiva”, destaca, referindo que “a vitória de Ventura não se mede pelo Palácio de Belém”. 
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